Ocupantes de prédio particular se rebelam contra reintegração de posse
Cotidiano 06/03/2015 11h40

Por Fernanda Araujo

Famílias que ocupam o edifício particular Casarão do Parque, localizado na rua Marechal Deodoro, esquina com rua Capela, no centro de Aracaju (SE), atearam fogo em pneus e interromperam a via no final da manhã desta sexta-feira (6). A ação durou quase meia hora, tempo para que a polícia, a SMTT e o Corpo de Bombeiros chegassem ao local e apagassem o fogo. Uma grande coluna de fumaça preta tomou conta do local, atrapalhando a visibilidade e prejudicando a respiração de quem passava. O trânsito ficou temporariamente interrompido.

Os ocupantes se rebelam contra a reintegração de posse que deve ser cumprida hoje.  “Estamos aqui há uns três

meses, não temos onde morar, estávamos morando na rua, estava esse prédio aberto, sem utilidade, nós viemos. Deram prazo para sairmos hoje, sem nada. Não temos para onde ir”, afirma Luciano da Conceição Santos que, segundo ele, foi comunicado sobre a reintegração de posse no dia 27 de fevereiro.

O prazo dado judicialmente foi de 15 dias e, segundo o oficial de justiça Wilton Alves Cordeiro, os próprios ocupantes já haviam decidido, voluntariamente, sair do imóvel hoje, sem força policial, mas alguns não se conformaram. Os ocupantes do prédio, que está em péssimas condições, relatam que ali moram idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde.

“Eles estão vendo que aqui tem famílias. Viemos todo mundo da rua, tempo de chuva, criança fica gripada, meu filho está doente. Se tivéssemos para onde ir a gente sairia, mas não temos. Uma colega estava morando aqui, me chamou e eu vim há um mês. Tentamos conversar com eles, pedimos um tempo para ver se a gente arranja outro local para ficar”, diz Tainá dos Santos, mãe de um menino de um ano e sete meses, ex-moradora d

a ponte Aracaju/Barra.

A moradora Estefani Gomes Lima, com o filho de sete meses nos braços, também não se conforma. “Meu filho já está com pneumonia, se eu for para a rua com meu filho ele vai piorar. Eles vão dar o remédio? Não. Ninguém vem nos ajudar”, se desespera.

Outra mãe, esta de seis filhos, relata ser cadastrada no Minha Casa, Minha Vida há dez anos, mas nunca ter recebido moradia. “A gente saiu do aluguel porque não tínhamos condições de pagar, meu marido lava carro e resolvemos vir para aqui porque na rua não vamos ficar com uma ruma de criança pequena”, lamenta Maria Mayusa Gomes.

Segundo o oficial de justiça, desde o início vem dialogando amigavelmente com os invasores, além disso, o proprietário do prédio prometeu levar as famílias a uma casa até que fosse resolvida a situação, sem tirar ninguém à força. “A verdade é que muitos aí tem auxílio moradia, casa, e o prédio virou ponto de tráfico, são esses que estão incomodados. Tem alguns que acharam melhor não sair porque querem do governo auxílio moradia. Temo

s informações que quatro pessoas pagam 100 reais por mês a um representante do movimento deles para morar no prédio. Muitos aí já tinham saído e agora retornaram”, argumenta.

A reintegração de posse será com a força policial, se necessário, de acordo com a determinação do juiz da 11º Vara Cível, Marcel Castro Brito.

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