Novo Centro de Atenção Psicossocial vai funcionar 24 horas
Cotidiano 21/03/2013 17h58

Por Fernanda Araujo

O Centro de Atenção Psicossocial AD III Primavera (Caps) foi inaugurado nesta quinta-feira (21) em Aracaju (SE). O novo Caps atende especificamente a usuários de álcool, de crack e outras drogas e passará a funcionar 24 horas.

Mais de 400 usuários eram atendidos no local desde 2002 quando funcionava como Caps II. Agora com a readequação para Caps III, o atendimento será ampliado a partir de hoje. Foram 100 mil reais de investimento do Ministério da Saúde para a adequação do espaço. Serão disponibilizados separadamente para homens e mulheres salas de tratamento e de observação, pátio, área de refeição e dormitórios com oito vagas, chamados de acolhimento noturno e destinados aos

casos específicos em que o paciente precisa permanecer no local.

“Será o primeiro Caps a funcionar em 24 horas que vem para ampliar nossa assistência. A gente amplia assistência e garante o cuidado integral desses usuários, junto com outros serviços que a gente dispõe na secretaria, que seriam os leitos do Hospital Cirurgia, do São José, da Clínica de Repouso São Marcelo, e dos demais Caps da cidade”, diz Karina Ferreira Cunha (foto ao lado), coordenadora da Rede de Assistência Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde.

Presentes na solenidade estavam alguns vereadores, o presidente da Câmara, Vinícius Porto, e o ex-governador da Bahia, Paulo Souto. O prefeito João Alves e a secretária municipal de Saúde, Goretti Reis, visitaram as instalações e puderam constatar toda a estrutura do local.

“É uma obra fundamental. Há poucos dias estive com o secretário de Segurança e ele me dizia algo assustador, que a maioria esmagadora dos homicídios e dos atos de violência, hoje, é provocada por causa das drogas. Nos últimos cinco anos no Brasil houve mais homicídios do que os somados do Iraque, do Afeganistão e de todos os países em conflito no mundo, e a maioria provocada pelas drogas, que destroem não só o usuário como a família. Temos que agir em Aracaju em duas áreas: a assistência aos usuários e a segurança nas praças da periferia e em grande parte da Zona Sul, que estão literalmente sob o controle dos traficantes de drogas”, disse João Alves.

Para o usuário do Caps Liberdade e representante dos usuários da saúde mental de Sergipe, Everton da Costa Tavares (foto ao lado), o novo modelo é um grande avanço e trará bons resultados. “Os usuários pernoitavam em outras unidades de saúde e isso vinha causando algumas dificuldades, e agora, acredito que com a continuidade do serviço terá eficácia nos trabalhos desenvolvidos em todos os aspectos”.

Além disso, ele aponta a necessidade de aceitação da sociedade pelos usuários não só de álcool e drogas como também no que se refere à saúde mental. “Acho que ainda existe pouco conhecimento, divulgação ou falta de comunicação sobre o que é um tratamento de usuário de Caps. É preciso o exercício de uma cidadania justa e um olhar humano respeitando as diferenças”.

Segundo Goretti Reis, apesar dos problemas financeiros envolvendo a secretaria, a adequação do Caps era prioridade. De acordo com ela, em reunião do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde em Brasília, foi anunciada que será aprovada uma portaria agregando recursos para construção dos Caps, que possibilitará a  reestruturação de novos centros.

“Muitas vezes as famílias reclamam que o usuário vem se tratar, mas quando volta para casa retorna ao vício. Vamos dar um apoio maior para que nesse espaço o usuário esteja protegido e tenha tratamento adequado para que não retorne ao vício. Dentro do contexto que em vive o nosso Brasil e porque não dizer o nosso mundo, em questão das drogas, a gente precisa realmente reestruturar. É uma questão de saúde pública, onde precisamos ainda qualificar e capacitar os nossos trabalhadores da saúde para assistência não só ao usuário, mas também à família, além de fazer ações de prevenção nas escolas e em outros locais”, diz Goretti.

O Centro de Atenção Psicossocial AD III Primavera fica localizado na avenida Beira Mar, 2118, bairro Atalaia. Conta com apoio de psiquiatra, psicólogo, assistente social e terapeuta.

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