Novas famílias continuam ocupando antigo Hotel Aperipê em Aracaju
Cotidiano 24/09/2015 18h35Por Fernanda Araujo
Os sem-teto que voltaram a ocupar o antigo Hotel Aperipê, no Centro de Aracaju, desde o último sábado (19), afirmando que não tinham ganhado auxílio moradia prometido pela Prefeitura de Aracaju, já começaram a receber o valor e saíram do prédio ontem. O pagamento dos benefícios em atraso foi feito até a última terça. No entanto, os quartos já foram ocupados por 58 novas famílias ainda no final de semana, maioria de idosos e crianças carentes que sobrevivem de doações.
A sem-teto, Edjane Silva, tem dois filhos pequenos e afirma que está há oito anos na dificuldade. “Não é possível que um apartamento dessa qualidade fique fechado, enquanto estamos precisando. Isso aqui não é nada pela quantidade de dinheiro que o dono tem. Aqui tem mulheres que foram abandonadas pelos seus maridos e tem filhos recém-nascidos, gestantes, idosos que não tem família para recorrer”, lamenta.
Segundo ela, os moradores não querem auxílio moradia, mas cobram moradia digna já que não conseguem emprego. “Não queremos auxílio porque isso tem complicação. Tem pessoas que recebem, mas estão passando constrangimento direto com os proprietários da casa porque o benefício estava atrasado há dois meses, além de ser muito pouco, R$ 300 só dá para alugar um quarto e não sobra”, comenta.
Alguns dos ocupantes do prédio, desempregados, devem meses de aluguel e foi através da ocupação mostrada na imprensa que tiveram esperança de encontrar ajuda. “Quando aconteceu a invasão a dona da casa me pediu a chave porque eu devia três meses a ela. A gente se vira, procura os familiares e vai vivendo. Recebo bolsa-família, mas não é suficiente. Se não fosse necessário, não estaríamos aqui; não iria tirar meus filhos do canto deles para estar num chão frio. Pela idade e sem estudo muitos não nos dão emprego”, diz Daniela Vieira, que está no local junto com a mãe, duas filhas e mais um que carrega no ventre.Maria Trindade, idosa, também deve oito meses de aluguel. “Aqui são pessoas que não tem como pagar aluguel. Sem emprego e sem ajuda de ninguém, como vamos pagar aluguel? A dona da vila me cobra diariamente”, conta.
“Vivo há mais de cinco anos sem moradia, sempre no aluguel e agora não conseguir mais pagar. Devo três meses e me mandaram sair. Tento vender água na rua para criar a minha filha que fez um ano, junto com minha mulher”, afirma Charles Silva.
O proprietário do prédio ainda não se comunicou com os ocupantes que pretendem buscar assistência à Prefeitura. Alguns afirmam que ninguém da Prefeitura foi até o local conversar com as famílias. A Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas) foi procurada pelo F5 News, mas não atendeu a nenhum dos telefonemas até a publicação da matéria. O portal continua à disposição.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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