No Dia da Água, funcionários da Deso protestam contra privatização
Cotidiano 22/03/2017 12h06 - Atualizado em 22/03/2017 12h57

Por Fernanda Araujo e Will Rodriguez

Contra a privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) os trabalhadores realizaram um ato nesta quarta-feira (22), Dia Mundial da Água. Após uma panfletagem com os funcionários da companhia, os manifestantes seguiram até a Assembleia Legislativa exigindo um posicionamento dos deputados estaduais quanto ao tema.

Segundo os funcionários da estatal, a população sergipana, sobretudo a mais carente, terá sérios prejuízos caso a empresa seja privatizada. Ontem, a categoria também participou de uma sessão na Câmara Municipal de Aracaju para pedir apoio aos vereadores.

Sérgio Passos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Sergipe (Sindisan), adianta que a tarifa de água vai aumentar de imediato com a privatização, que pode chegar a um acréscimo de 32% com a inclusão de impostos.

“A empresa pública é isenta de alguns impostos, se passar para a iniciativa privada a empresa vai repassar para o consumidor  ICMS, PIS e Cofins. A Deso tem uma tarifa social para família de baixa renda, de R$ 15,40. Eu pergunto: se essa empresa for privatizada, quem irá subsidiar essa tarifa social? Em algumas cidades do país que deram a concessão à iniciativa privada a tarifa mínima que aqui na Deso é de R$ 30,80, passou para R$ 90. Ou vai fazer a feira ou pagar a água”, afirma.

Passos argumenta ainda que não é garantido que uma empresa privada ofereça serviço de excelência, já que, de acordo com o Procon de Sergipe, empresas estatais que passaram à iniciativa privada no estado, como de telefonia e energia, são campeãs de reclamação. A Deso está em 30º lugar em questão de reclamações.

“Para prestar serviço de excelência na Deso é preciso que o governo do Estado vá aos órgãos federais, Caixa Econômica, BNDES, e traga recursos para ampliar as estações de tratamento de água, substituir as redes de distribuição que são velhas, melhorar as adutoras”, disse.

Os funcionários questionam ainda se, privatizada, a Deso dará continuidade à entrega de água gratuita de seus reservatórios para os caminhões-pipa que levam água para o sertão do estado. “A cada real investido em saneamento economiza-se quatro reais com saúde. Se o governo tivesse realmente compromisso com o povo jamais iria pensar em privatizar e sim em investir”, completa Passos.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já iniciou o pregão eletrônico para definição do consórcio que ficará responsável pela elaboração dos projetos de saneamento com participação da iniciativa privada em Sergipe, o que pode levar à privatização da Companhia.

O governo do Estado afirmou que só vai se pronunciar sobre a privatização da Deso após o estudo que vai ser elaborado por um consórcio selecionado pelo BNDES. 

Foto: SMTT

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