Namoro precoce: prejudicial ou salutar?
Cotidiano 12/06/2014 07h00Por Tíffany Tavares
Enamorado, adjetivo que define um sentimento para quem está apaixonado, aquele que se enamorou. Vem da expressão espanhola “estar en amor”. Atualmente, parece até modismo, pois se tornou comum os jovens começarem relacionamentos muito cedo. A turma anda com os hormônios à flor da pele.
O Dia dos Namorados é uma data comemorativa, não oficial, destinada aos casais de namorados, pretendentes e apaixonados. É tradição a troca de presentes, bombons e cartões com mensagens de amor entre namorados ou pessoas que se amam. No Brasil, esta data é comemorada em 12 de junho. Já em outros países, como nos Estados Unidos, a comemoração ocorre em 14 de fevereiro, Dia de São Valentim.
Um Breve Histórico
Origem do Dia de São Valentim (14 de Fevereiro)
A comemoração desta data remonta o Império Romano. Um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos pelo imperador romano Claudius II. Porém, o bispo desrespeitou a ordem imperial e continuou com as celebrações de matrimônio, porém de forma secreta. São Valentim foi preso pelos soldados e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento. O bispo Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro do ano 270.
Em sua homenagem, esta data passou a ser destinada aos casais de namorados e ao amor.
Já no Brasil...a História do 12 de Junho
A data apresenta uma história bem diferente, pois está relacionada ao frei português Fernando de Bulhões (Santo Antônio). Em suas pregações religiosas, o frei sempre destacava a importância do amor e do casamento. Em função de suas mensagens, depois de ser canonizado, ganhou a fama de “santo casamenteiro”.
Daí no país, foi escolhida a data de 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio (13 de junho). Assim como em diversos países do mundo, aqui também é tradição a troca de presentes e cartões entre os casais de namorados.
E os casais o que acham?
Paira a dúvida no ar...Namorar cedo demais é saudável ou prejudicial para o ser humano? Será que prejudica ou amplia a desenvoltura do indivíduo em futuros relacionamentos sociais e/ou amorosos?
Ah o amor!..O fervor dos sentimentos dos apaixonados e enamorados borbulha de maneira distinta entre os casais. Há quem comece a namorar cedo, ou quem namore bem mais tarde, há quem não sinta vontade nenhuma de ter relacionamentos sérios, por algum motivo justo no momento, como um trauma, raiva, ou até mesmo por escolher ficar sozinho!
Namorar cedo
Luciana Aquino (foto ao lado), 18 anos, começou a paquerar com apenas 11 anos de idade, por influência de uma amiga muito mais velha. “Nem havia ficado mocinha e muito menos imaginava o que era sexo. Fui pela moda de ‘ficar’”.Luciana teve um namoro mais sério aos 12 anos e os familiares não aceitavam a situação. “Achavam-me muito nova e tinham medo que eu perdesse a virgindade ou engravidasse”, diz ela, informando que esse relacionamento não deu certo.
Aos 14 anos tentou outro relacionamento, que também não deu certo. Para Luciana, namorar muito cedo prejudicou diversas áreas da vida, sendo uma delas os estudos. "Minhas notas caíram e tive muitos conflitos familiares. Na época deixei de me divertir com amigos, de fazer coisas que eu gostava, para agradar meu parceiro. Acabei esquecendo de fazer o que me satisfazia. Minha auto-estima baixou e me sentia incapaz e desvalorizada”, afirmou.
Luciana Aquino se diz uma pessoa diferente atualmente, não se lamenta pelo passado e tem novos sonhos. “Meu passado serve de lição para outras meninas e meninos que pensam em namorar cedo”, reflete.
Ela acredita que os pais podem lidar com a situação, convencendo o filho (a) que ainda é cedo, exemplificar consequências, vigiar discretamente as amizades, dialogar sobre prevenções de doenças, gravidez, com cautela e orientação. “Pode acontecer de o pré-adolescente fazer amizades com um adolescente que já tenha experiência sexual e este o influencie a fazer tal ato precocemente. Isso é perigoso”, disse.
Luciana finaliza que o principal motivo que pode prejudicar relacionamentos precoces é a imaturidade das duas partes. Brigas, angústias e traumas podem até afetar relacionamentos futuros.
Namorou cedo e deu certo
Já Fernanda Ferreira de Melo Silva, 28 anos, começou a namorar aos 16 anos e casou-se com seu primeiro e único namorado, Wesley Silva. Casados há quatro anos, Fernanda e Wesley aguardam o primeiro filho.
Para ela, o segredo do sucesso na relação foi a maturidade do casal. “Éramos diferentes dos nossos amigos com a mesma idade. Dialogamos muito, mesmo com poucas brigas e problemas, o diálogo é essencial na relação”, explica.
Namorar sério? Nem pensar!
Adriano Aragão (foto ao lado) é solteiro, tem 32 anos, mora sozinho e não tem expectativa nenhuma no momento em assumir um relacionamento sério. Seu objetivo atual concluir o curso de Direito. “Não que eu não tenha desejos. Tenho meus relacionamentos curtos, esporádicos, mas não abro mão de minha individualidade”, diz ele acrescentando que futuramente pensa em casar sim, mas não agora.Especialista
Para esclarecer alguns questionamentos, F5News conversou com a psicóloga Milena Mendonça (Foto abaixo).
F5News - Iniciar relacionamentos muito cedo é prejudicial ou saudável para os pré-adolescentes, até que ponto?
Milena Mendonça (MM) - Não tem como mensurar o momento ideal para começar um relacionamento amoroso, se é muito cedo ou muito tarde, isso depende da maturidade da cada um e da demanda que está por trás do relacionamento.
Levando em consideração nosso contexto sócio-histórico cultural, atualmente se percebe que cada vez mais cedo crianças e adolescentes estão recebendo estímulos para o descobrimento precoce da sua própria sexualidade, e em consequência disto, iniciam um relacionamento amoroso, o que naturaliza de alguma maneira esse “fenômeno”.
Em alguns casos, a necessidade de iniciar um relacionamento amoroso é demandada pela ausência de vínculos afetivos nas relações familiares. Buscando o desenvolvimento saudável e um melhor entendimento da demanda por um relacionamento amoroso da criança, é importante investigar sobre seu desejo e sua sexualidade.
F5News - Existe preparação para os “quase adolescentes” começarem a namorar?
MM - Sim, os pais e responsáveis devem orientar os pré-adolescentes sobre o tema, logo que estes despertarem para tal assunto. É importante que não existam temas “tabus” no diálogo da educação sexual, para que se tornem adolescentes, e futuramente adultos, com mais conhecimento e maturidade sobre a sexualidade, tornando-se mais propensos a relacionamentos amorosos saudáveis.
Caso a família ou o adolescente necessite, é aconselhável procurar uma orientação psicológica para a família do adolescente quanto à educação sexual de seus filhos. Isto possibilitaria ao adolescente falar sobre alguma necessidade não satisfeita que é buscada inadequadamente numa relação amorosa.
F5News - De que forma os pais podem proibir ou aceitar relacionamentos precoces?
MM - Nem proibir, nem estimular. A proibição não trará muitas soluções, o adolescente provavelmente irá fazê-lo da mesma forma, podendo ser escondido, o que traria outro problema para a relação entre pais e filhos, o da quebra de confiança. Deve haver uma conversa franca entre pais e filhos desde a infância, a partir de demandas da própria criança, para que não haja o estímulo precoce, com uma linguagem e conteúdos para cada faixa etária. E deixando claro que por educação sexual entende-se desde a relação sexual até a relação amorosa.F5News - Quais recomendações para os jovens que estão entrando nos relacionamentos?
MM - Que reflitam sobre essa demanda precoce para um relacionamento afetivo, e as responsabilidades exigidas com isso. Por exemplo, mesmo sem se achar preparado, é comum o adolescente querer antecipar suas demandas de relacionamento como uma disputa com outros adolescentes.
Deve ser levado em consideração o que implica o relacionar-se em suas diferentes dinâmicas. Por exemplo, o “ficar” normalmente implica em uma realização dos desejos imediatos, sendo um jogo erótico realizado a partir das formas básicas e preliminares de um relacionamento afetivo e sexual, no qual se exercitam suas competências sexuais, sua auto-estima e vão adquirindo experiências.
Já o namoro pressupõe a exigência de permanência, de mais consistência e compromisso na relação. O que, nos dois casos exige maturidade para lidar com suas próprias demandas e as dos outros com os quais se relacionarão.
F5News - Quais os perigos?
MM - Os dilemas e desejos são existentes dentro da vivência dos adolescentes que buscam o preenchimento total de seus desejos e vazios, e ao se depararem com alguma impossibilidade, há um sofrimento, quase sempre exagerado de suas emoções e sentimentos. O perigo está aí, pelo exagero de suas emoções, por ainda serem imaturos, não medem os riscos de se relacionarem precocemente, o qual pode causar consequências ou traumas futuros.
Fotos: Arquivo Pessoal dos entrevistados

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