Mulheres imprimem sensibilidade ao trabalho do Samu 192 Sergipe
Cotidiano 10/03/2015 08h34Por trás de um uniforme azul marinho e de um brasão capaz de identificá-las como profissionais que salvam vidas, as mulheres que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe) desempenham com maestria a assistência pré-hospitalar, incluindo em cada procedimento uma característica bem comum ao gênero: a sensibilidade.
Seja em meio à dinâmica das ambulâncias ou mesmo na Central de Regulação, a participação feminina é expressiva nas mais diversas categorias profissionais. À frente da superintendência, a enfermeira Conceição Mendonça tem em sua trajetória a criação do primeiro Serviço habilitado pelo Ministério da Saúde, o Samu 192 Aracaju, contribuindo assim para a ampliação desse modelo de assistência a cerca de 60 outros Serviços implantados no país.
Para Conceição, o desafio de ser mulher e gestora perpassa pelas áreas contraditórias da fragilidade e da fortaleza. "A fragilidade no universo feminino se traduz em delicadeza na execução dos procedimentos pré-hospitalares de urgência. A fortaleza, por sua vez, implica a tomada de decisões. Enquanto formadora de opiniões sobre decisões técnicas relacionadas aos processos de trabalho no Samu, procuro estar atenta aos diferentes pareceres expostos, encarando a diversidade como instrumento impulsionador do trabalho para fins de superação", compartilhou a superintendente do Samu 192 Sergipe.
Feminilidade x salvamento
Atentos aos direcionamentos de uma equipe gestora e protagonistas em atuações de salvamento, os médicos do Samu 192 Sergipe se mantêm aptos a atender pacientes que necessitam de atendimentos de urgência, tanto nas Unidades de Suporte Avançado (USAs), quanto na Central de Regulação do Serviço.
Médica reguladora e intervencionista, Heloisa Lázaro atua no Samu há nove anos. A experiência acumulada a faz identificar com clareza o maior desafio da profissão.
"Cuidar da carreira, do marido, de si mesma e de dois filhos é tarefa difícil. Mesmo estabelecendo prioridades, se há algo a ser sacrificado, certamente será o cuidado sobre mim mesma. Tanto na profissão quanto na vida pessoal, a sensatez e a sensibilidade se fazem presentes, uma vez que são parte do universo feminino e nos identificam, portanto, como mulheres", refletiu a médica.
Também atentas à tarefa de promover e restabelecer a saúde de pacientes, as enfermeiras do Samu procuram adaptar da melhor forma tais responsabilidades às demandas típicas de um serviço pré-hospitalar móvel de urgência. Gerana Leitão, enfermeira do Samu 192 Sergipe há 13 anos, constata que o cuidar feminino é diferenciado, mas excepcionalmente especial quando em situações delicadas.
Para Gerana, muitas vezes, o trabalho do enfermeiro exige esforço físico, este facilmente dispensado por homens. Contudo, em momentos atípicos, a participação da mulher traz o diferencial necessário.
"Ocorrências que envolvem crianças é um desses momentos ímpares, onde o sentimento de maternidade fala mais alto e o cuidado se torna, inevitavelmente, redobrado. A sensibilidade feminina na enfermagem é também percebida em casos em que o paciente requisita o Samu não, emergencialmente, para obter cuidados pré-hospitalares, mas para obter cuidados que lhes foram negligenciados ao longo do tempo, a exemplo dos familiares", descreveu Gerana.
Condução de vida
Para a motossocorrista Aline Maciel, tão complexo quanto manter o equilíbrio emocional durante determinados momentos da vida é assumir a tarefa de socorrer pacientes no menor espaço de tempo possível, em qualquer tipo de percurso, sob duas rodas. A técnica de enfermagem foi a primeira profissional apta a desempenhar essa tarefa no Samu 192 Sergipe e mantém com dedicação o ofício de chegar ao local da cena antes mesmo da ambulância, sendo a única mulher a desempenhar a tarefa na atualidade.
"No início, o estranhamento por parte da população nos locais das cenas era inevitável, especialmente, quando haviam homens presentes. Com o passar do tempo, a experiência se encarregou de trazer consigo a desenvoltura, a postura mais enfática e a maior facilidade de cuidar dos que necessitam. A psicologia aplicada e a feminilidade logo se associaram ao serviço, seja através da conversa ou da atenção especial dada ao paciente de forma única, que só a mulher, com suas potencialidades, tem condições de desempenhar com tanta especialidade", descreveu Aline.
Condutora de veículo de urgência há cinco anos, Magna Santos não hesita ao afirmar que as atribuições do profissional vão muito além de dirigir veículo destinado ao atendimento e transporte de pacientes. "Também cabe ao condutor auxiliar a equipe nas imobilizações, conhecer a localização de todos os estabelecimentos de saúde integrados ao sistema assistencial local e identificar todos os tipos de materiais existentes nos veículos de socorro, bem como sua utilidade. Entre essas e outras tarefas assumidas pelo condutor, a de zelar pela segurança da equipe durante a condução", detalha.
Magna caracteriza como mais cuidadosa a condução de veículos assumida por mulheres. "Somos, naturalmente, mais atenciosas até mesmo em incumbências inusitadas, como as de subir em canteiros, percorrer lugares perigosos ou de tráfego ruim. No entanto, a maior disponibilidade dos motoristas em abrir espaço nas mais diversas vias é verídica quando se trata de uma mulher ao volante. Um ponto positivo, uma vez que a educação no trânsito e a livre passagem para veículos de urgência contribui para redução do tempo resposta de uma dada ocorrência", acrescentou a condutora.
*Matéria veiculada no Jornal da Cidade do dia 08 de março
Fonte: agência Sergipe

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