Mulheres e homens feministas fazem ato em repúdio contra Agamenon
Cotidiano 03/12/2014 12h00

Por Fernanda Araujo

“Todos e todas contra qualquer forma de violência” é a mensagem deixada por mulheres e homens feministas que se manifestaram na manhã desta quarta-feira (03) na praça Fausto Cardoso e na Câmara de Vereadores, em Aracaju (SE). O ato foi motivado pela polêmica das declarações feitas pelo vereador Agamenon Sobral (PP) e em solidariedade à vereadora Lucimara Passos (PC do B). Ambos foram advertidos ontem pelo presidente da Casa legislativa, o vereador Vinícius Porto.

“Agamenon Sobral incitou no expediente da Câmara - isso é grave - a violência e a tortura contra a mulher, quando ele diz: se fosse eu dava uma surra, mandava dar uma surra e depois dava um banho de sal grosso. A Câmara tem que se retratar, não só o vereador, porque se não fosse a vereadora a sociedade não saberia o que tinha acontecido. A quebra do decoro parlamentar partiu do vereador quando incitou a violência, o que é crime”, disse a jornalista Déa Jacobina, membro da União Brasileira das Mulheres.

Fazendo parte da Campanha Internacional 16 dias de Ativismo contra a Violência sobre a Mulher, que finaliza no

Dia Nacional dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro, uma série de entidades e mulheres independentes se uniram para construir o ato coletivamente. Participaram: Marcha das Vadias; jovens do DCE da UFS; UBM, CTB/SE e CUT/SE; Conselho Estadual de Direitos da Mulher; Levante Popular da Juventude; Movimento Nacional de Direitos Humanos; Movimento Nacional de Mulheres; Marcha Mundial das Mulheres; Coletiva de Mulheres; MST; Sintese; Sindicato dos Enfermeiros e a Associação de Moradores do Bairro Aruana.

 “A nossa luta é todo dia, somos mulheres e não mercadoria” foi o grito de ordem entoado por mulheres indignadas com o que classificam como uma sociedade conservadora e machista. Homens colocaram saia e um varal de calcinhas foi pendurado. Para Lídia Anjos, do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, a sociedade ainda vê as mulheres pela perspectiva apenas do corpo. Ela acredita que a advertência à vereadora Lucimara Passos foi injusta e a de Agamenon Sobral, insuficiente.

“Mulheres estão morrendo em uma sociedade dos machos, que olham a mulher como sexo frágil, sensível, que não pode participar dos espaços políticos. Nessa discussão se ganha mulheres e homens. A gente tem ainda uma casa legislativa conservadora e que puniu a vereadora Lucimara por ter se sentido agredida. Ela tirou a calcinha do bolso como simbologia para mostrar que nós não somos objeto e que temos o direito de usar o corpo como quisermos”, afirma.

“Infelizmente, a gente tem parlamentares que, ao invés de estar trabalhando pelo bem público, da sociedade, dizem coisas que vão de encontro ao que a gente imagina que venha de um parlamentar. Essa incitação à violência a gente repudia veemente. Estamos aqui para lutar contra a discriminação e machismo que essa sociedade conservadora reitera a cada dia nos espaços públicos e privados”, ressalta Edjanaria Borges, da Secretaria da Mulher da CUT/SE.

Foto: Fernanda Araujo/F5 News

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