Mudança de correnteza aumenta risco de afogamento em agosto
Bombeiros alertam para crescimento do número de casos em Sergipe
Cotidiano 16/08/2014 07h00

Por Fernanda Araujo

O Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (GMAR/CBMSE) tem intensificado os trabalhos de prontidão dos guardas-vidas nas praias de Aracaju por conta do aumento do número de afogamentos e princípios de afogamentos, segundo nota da Assessoria de Comunicação do órgão. 

De acordo com as estatísticas do Corpo de Bombeiros, dos 24 afogamentos ocorridos este ano, na praia de Atalaia, 15 foram registrados apenas nos primeiros 12 dias de agosto, o que representa 62,5% do total de afogamentos em 2014. Dos 48 princípios de afogamento registrados este ano, 25 (52%) ocorreram este mês - sem registro de mortes. Os afogamentos e princípios de afogamentos foram registrados nas praias de Atalaia e na Coroa do Meio.

Segundo o comandante da GMAR, major Héctor Monteiro, nesse período, entre agosto e março, há mudanças de correntezas marítimas nas costas e, consequentemente, surgem os buracos na beira da praia, algumas armadilhas com os valões ou ‘piscininhas’, que se formam com a mudança da correnteza, maré alta e ventos fortes. “Os buracos são vistos enquanto a maré está rasa, a pessoa entra no mar, quando a maré enche a correnteza acaba deslocando o banhista que não consegue retornar e cai no buraco”, afirma.

De acordo com o major, para evitar esses casos, estão sendo feitas ações de prevenção, colocando placas de sinalização em locais de perigo e viaturas estão circulando nas áreas para alertar os banhistas. No entanto, o alerta é por vezes negligenciado e muitos se arriscam. “Casos de princípio de afogamentos acontecem muito nessa época. Destacamos que os banhistas respeitem as orientações dos guarda-vidas, assim como as placas de perigo. O problema é que muitas vezes as pessoas desrespeitam e dizem que sabe nadar, vão para a correnteza, não conhecem, não têm habilidade para sair da água e acabam se afogando”, alerta.

Algumas das orientações principais: fixar um ponto de referência na areia antes de entrar no mar, pois a correnteza pode acabar deslocando o banhista; não é indicado consumir bebida alcoólica ou comida pesada antes e ir para a água; e não é indicado deixar crianças brincando, mesmo no raso, sem a presença de um adulto. Com ondas na média de 2,2 metros e valões com profundidade média de 1,5 m a 2,5 m com a maré baixa, na maré cheia os valões cobre um adulto. No período de 30 minutos a 1 hora o nível da água sobe rapidamente.

As praias da Coroa do Meio, em frente aos arcos da Atalaia, da Petrobras, da Passarela do Caranguejo e do antigo restaurante Tropeiro, são onde se concentram os maiores perigos. Além disso, segundo o Corpo de Bombeiros, as praias mais próximas do encontro do rio com o mar apresentam um risco maior de afogamentos. Em 2013, de janeiro a outubro, os guarda-vidas do CBMSE realizaram 782 atendimentos, sendo a maior parte das ocorrências registradas em Aracaju.

Outra preocupação é também quanto à qualidade da água. Veja abaixo as praias sergipanas mais indicadas para o banho e as que estão impróprias, segundo estudo realizado pela Administração Estadual do Meio Ambiente de Sergipe:

Foto: Praia do Saco/arquivo F5 News

​Foto 2: Will Rodrigues

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