Moradores reclamam de reintegração de posse no Loteamento Poxim
Cotidiano 07/06/2016 14h30Por Fernanda Araujo
Venceu neste domingo (05) o prazo da liminar que decidiu pela retirada dos assentados no Loteamento Poxim, área que beira o rio homônimo próxima a Universidade Federal de Sergipe (UFS). Os ocupantes conseguiram entre dois ou três dias para que pudessem retirar todos os pertences. Nesta terça-feira (07), a maioria já começou a desocupar o terreno que é de preservação ambiental. Com a reintegração de posse todos os barracos foram derrubados.
O processo foi julgado em Aracaju, no entanto, o fato é que algumas das 12 famílias que viviam no local ainda não têm para onde ir e, segundo elas, o poder público não se manifesta para prestar qualquer auxílio. Maioria de idosos e crianças, alguns viviam na área há mais de 20 anos, como é o caso do senhor Jesuíno Alves Feitosa, de 70 anos.
“No dia 12 de outubro eu estaria com 27 anos ali dentro e estou saindo, abandonando. E até agora nem Estado, prefeitura, assistente social, nunca ninguém apareceu para resolver nada. Sai de lá e levei meus pertences utilizando uma canoa que tenho para subir o rio”, conta Jesuíno.
Graças a um amigo que possui um sítio, ele conseguiu ficar no local de favor. “Ele está doente e me chamou para que ele não ficasse sozinho. Se não fosse ele, eu também não teria para onde ir, talvez iria para o sertão em Porto da Folha ficar com meus irmãos, também de favor”. Seu Jesuíno tem quatro filhos, dos quais dois moram com ele. Separado, continua ajudando como pode a ex-mulher, que é enferma. “Enquanto estávamos lá, a gente trabalhava, plantando macaxeira, tirando fruto para vender na feira, tinha manga, agora não temos mais nada”, lamenta.
No entanto, informações dos próprios ocupantes dão conta de que duas ou três pessoas que conviviam no terreno possuem casa e por isso têm para onde ir. É o caso de Antônio Sales, de 69 anos. Ele morou no local por 12 anos, apesar de ter uma casa no Rosa Elze, e afirma que plantava na área para poder sobreviver. Ele reconhece a situação de outras pessoas mais preocupante. “Meu cunhado não tem para onde ir e ele é deficiente, não pode trabalhar. Tem uma senhora que iria para Propriá, mas o caminhão que iria levá-la com os pertences disse que só levaria para Aracaju. Não sei como ela vai sair dali”, afirma.
A informação é de que a área em que se encontra o terreno faz parte do município de São Cristóvão. F5 News procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura e, através da secretária de Infraestrutura e Meio Ambiente, Maria Olívia Santos Chirife, foi dito que, na verdade, a área pertence ao município de Aracaju e todo o processo para reintegração e assistência está sendo feito pela capital. Além disso, segundo a secretária, em nenhum momento ela foi acionada para depor ou participar desse processo pela Justiça. Ela afirma que o atendimento assistencial tem que ser feito pela cidade onde o processo foi aberto e realizado.
A Procuradoria Geral de São Cristóvão não conseguiu confirmar se o processo está vinculado ao município, já que não pode dar qualquer parecer oficial da Prefeitura sem o número do processo.
Já a assessoria da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (SEMFAS), de Aracaju, nega que a área seja pertencente à capital. “A lei municipal 3873/2010 dispõe sobre a concessão do auxilio moradia em Aracaju. Nessa lei consta que o auxilio só deve ser concedido aos residentes do município de Aracaju. E essa área é de responsabilidade do município de São Cristóvão”, afirma a assessora Verônica Moura.

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