Moradores protestam contra violência no bairro Industrial, em Aracaju
Cotidiano 18/06/2016 10h47

Por Will Rodriguez

“O bairro Industrial está agonizando”, com esta definição o pastor Antônio Sampaio resume a situação atual do bairro proletário de Aracaju. Para alertar sobre a escalada da violência na localidade, ele e cerca de 120 jovens protestam neste sábado (12), na Avenida João Rodrigues, naquele bairro que fica na zona Norte da capital sergipana.

Margeado pelo rio Sergipe, o bairro tem 96 anos de existência e é um dos maiores núcleos habitacionais da capital com mais de 80 mil moradores. Nele é possível encontrar uma orlinha com uma das mais belas paisagens naturais da capital, mas por trás do aparente cenário de sossego, os moradores convivem com uma rotina de medo.

“Estamos vivendo um tempo de terror. No mês de junho que ainda nem terminou já tivemos seis assassinatos aqui. Queremos dar voz às famílias que estão perdendo seus entes queridos e estão sem voz”, lastima o pastor Antônio Sampaio, coordenador do movimento Família da Paz.

Além dos homicídios, a população vive amedrontada por conta das abordagens violentas e assaltos a mão armada, que segundo o pastor, ocorrem a qualquer hora do dia. “As pessoas estão acuadas dentro de suas próprias casas”, destaca Antônio.

Segundo ele, a Polícia tem trabalhado na região, mas a solução para este problema depende da educação. “É preciso conscientização para que o outro passe a ver seu semelhante como igual e não como um objeto descartável. A conscientização só vem pela educação, e ela precisa alcançar a base que é a família”, entende Sampaio.

Com cartazes, apitaço e palavras de ordem, a comunidade chama a atenção de condutores que passam pela avenida. Muitos acenam e buzinam demonstrando apoio à mobilização que ocorre até o final da tarde deste sábado.

Na boca um só desejo: “Eu quero é paz, violência nunca mais”. No coração de quem construiu a vida naquela localidade, a esperança de dias melhores. “O bairro está abandonado pela sociedade, mas eu espero que isso mude com mais educação e esporte, porque se o problema persistir, não dá para pensar em continuar morando aqui”, diz a estudante Jéssica Santos, que reside no Industrial há 20 anos.

Fotos: Will Rodriguez/F5 News

Foto 3: cedida pelo movimento

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