Moradores de povoado em São Cristóvão (SE) cobram construção de ponte
Ponte velha caiu em abril de 2015
Cotidiano 24/11/2016 17h09 - Atualizado em 24/11/2016 17h25

Por F5 News

Há exatamente um ano e sete meses, um caminhão carregado de tijolos passava pela ponte que liga os povoados Camboatá e Caritá, na zona rural de São Cristóvão (SE), quando a velha estrutura de madeira veio abaixo.  Era só o começo dos transtornos de quem mora no povoado Caritá. Com o início da época de chuva na região e, em consequência disso, a elevação do nível do rio Pitanga, a comunidade ficou completamente ilhada.

O aposentado João Gabriel da Silva disse que naquela época chegou a ficar três dias sem retornar para casa. “Com a correnteza forte, o jeito era esperar o rio baixar”.

Inconformados com o descaso do poder público, os moradores aproveitaram o que sobrou da velha ponte e, com as próprias mãos, construíram uma pequena passarela, improvisando uma arriscada travessia - amarrados a cordas -, e completamente dentro da água. “O desespero maior foi quando uma vizinha entrou em trabalho de parto e teve que ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros”, lembrou seu João.

Três meses após a queda da ponte, a prefeitura do município anunciou que abriria uma licitação para a construção da nova ponte, promessa já conhecida por aqueles moradores, e que mais uma vez não saiu do papel. “Antes mesmo da ponte cair, a gente já tinha pedido por diversas vezes para a prefeitura construir uma nova, que aquela não ia aguentar, mas nunca fomos ouvidos”, disse o aposentado.

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Os moradores mais uma vez botaram a mão na massa, ou melhor, na água e construíram uma ponte um pouco mais larga, onde era possível o tráfego de veículos, pelo menos quando o nível do rio estivesse baixo. “Essa ponte fica debaixo d´água. Quando o rio sobe, a gente tem que amarrar ela, se não a água leva”, diz João Gabriel.

Na semana passada, essa segunda ponte veio abaixo.  Ela também não suportou o peso um caminhão carregado de material de construção. Os moradores usaram as pedras destinadas à obra para reerguer provisoriamente a ponte, que “não deve passar da próxima chuva”.

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A estudante Elisângela Monteiro reclama que os estudantes estão sendo prejudicados, já que o transporte escolar está impossibilitado de chegar ao povoado. “Se a gente quiser ir pra escola tem que vir caminhando até a ponte, porque o transporte não atravessa. Tem alguns motoristas que ainda se arriscam, mas só carro pequeno e carroça”, disse.

Os moradores temem que o rio volte a subir e cobram uma resposta. “Nós estamos aqui abandonados, esquecidos. No povoado não tem água, dependemos dessa ponte para estudar, trabalhar, comprar comida, se o rio subir de novo, vamos ficar ilhados aqui, queremos que alguém faça alguma coisa”, reclamou Elisângela.

F5News procurou ouvir a versão da prefeitura de São Cristóvão, mas ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.

 

 

 

 

 

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