Militantes denunciam o alto uso de agrotóxicos em alimentos
Por ano, são ingeridos no Brasil 5,2 L desses venenos Cotidiano 03/12/2014 14h20Por Fernanda Araujo
Em denúncia sobre os impactos e consequências do uso de agrotóxicos no Brasil, militantes do Movimento Sem Terra de Sergipe (MST) e da Central Única dos Trabalhadores fizeram um ato, nesta quarta-feira (03), na praça Fausto Cardoso, em Aracaju (SE), com o objetivo de alertar e orientar a população sobre os danos resultantes dessa prática.
O ato está dentro do calendário do Dia Nacional de Luta contra os Agrotóxicos, que lembra as 30 mil pessoas falecidas em Bhopal, na Índia, em virtude do vazamento de 27 toneladas de um gás tóxico usado na fabricação de um praguicida. A Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida surgiu em 2011.
Para o diretor da Secretaria do Meio Ambiente, da CUT/SE, Gilenilson Silva Santos, é preciso discutir o uso indevido de agrotóxico na alimentação diária, procedimento que, segundo ele, mata a natureza e o ser humano. O Brasil, desde 2008, é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, com mais de 400 tipos registrados. Segundo o site da campanha, por ano, brasileiros ingerem 5,2 L de veneno em alimento contaminado e o país consome 14 desses produtos proibidos no mundo.
“O índice de pacientes com câncer por causa desse uso é grande, até mesmo o profissional que trabalha com esses produtos sofre com alguma patologia gerada por agrotóxicos. Fora que hoje é comprovado cientificamente que essa toxina vai para o nosso organismo. O mesmo agrotóxico utilizado no plantio é utilizado para engordar animais, por exemplo, galinhas”, afirma.
Um projeto de lei para evitar o uso indevido de agrotóxico, de acordo com o diretor, está parado na Assembleia Legislativa a CUT reivindica que seja colocado em pauta.
Entre os riscos de se usar agrotóxico na alimentação, segundo o militante do MST, Felipe Sena (foto), é a má formação do feto. Além disso, na terra contribui para a contaminação dos lençóis freáticos. Entre as pautas do MST, eles defendem a agricultura ecológica e mapear os produtos com agrotóxicos. “A campanha tem a preocupação com a saúde das pessoas. Queremos o fim da pulverização aérea; a rotulação dos alimentos transgênicos, territórios livres do
uso de agrotóxicos e de sementes transgênicas; o banimento imediato de agrotóxicos que já são banidos em outros países”, ressalta.Além disso, acusam a influência política da bancada ruralista, que tem campanhas financiadas por empresas que dominam a cadeia produtiva, de ser um problema para o homem do campo. Reclamam também da perda da biodiversidade que acontece pela expansão do monocultivo de cana, milho e soja. Segundo os manifestantes, a expansão do cultivo de eucalipto em Sergipe também prejudica. “Essa planta consome 32 litros de água por dia, libera substâncias tóxicas e mata a terra”, diz Gilenilson.
“Isso interfere na modalidade de vida do campo. A agricultura familiar camponesa hoje é responsável por 70% da produção de alimentos, ou seja, a batata, hortaliças, e quando a gente prioriza a expansão da cana acaba encarecendo os alimentos, principalmente; além de que muitos camponeses não têm a posse da terra e direitos trabalhistas assegurados. Já passou da hora do governo tomar uma iniciativa concreta”, completa Felipe Sena.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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