Mais de 500 pessoas precisam de transplante renal em Sergipe
Número de doadores cai e pacientes cobram retorno de transplantes Cotidiano 17/09/2015 13h55Por Fernanda Araujo
O aposentado Lúcio Alves (foto), renal crônico, depende da hemodiálise ou do transplante para sobreviver. A questão é ainda mais crítica já que, em Sergipe, não se faz transplantes de rins e de outros órgãos desde 2012, clínicas se descredenciaram, e não tem previsão de retorno. “O transplante não tem tido atenção merecida pelo Estado”, lamenta.
“O meu transplante foi todo custodiado por mim. O estado cedeu apenas passagem aérea e ajuda de custo de R$ 24,75 por dia. Quem não tem condições financeiras fica numa máquina de hemodiálise até quando Deus quiser”, afirma Mário Júnior Ferreira da Silva (abaixo), transplantado há dois anos.
A falta de transplantes no Estado, além do baixo número de doadores, deixam os renais crônicos ainda mais temerosos. Em 2014 eram oito doadores, esse ano caiu para quatro (queda de 50%), o equivalente a dois doadores por milhão de habitantes, enquanto, o Brasil tem 15 doadores por milhão.
“Aproximadamente 1.300 pessoas fazem alguma modalidade diálise em Sergipe, o preconizado é que de 40% a 50% estejam inscritos, temos aí entre 520 e 600 pessoas que precisam de transplante renal”, conta Benito Oliveira Fernandes, coordenador da Central de Transplante de Órgãos de Sergipe.
Os pacientes ainda precisam enfrentar a rejeição das famílias. No Estado há uma negativa familiar em torno de 90%. O preconizado é que a recusa seja em torno de 40%. O pior é que, na prática, como não são feitos transplantes de rins na região, os sergipanos são inscritos em outros estados.
“Os órgãos são captados aqui e encaminhados via Central Nacional para outros estados. A ajuda de custo não é o suficiente para se manter fora do estado. Não temos no Estado nenhum estabelecimento público que apresente os critérios determinados pela portaria 2.600 para transplantes, mas há privados que possuem”, ressalta Oliveira (ao lado).
Dados
Apenas o transplante de córnea, atualmente, é realizado em Sergipe, com a lista de espera de 138 pacientes. Em 2014 foram 132 e este ano, até o momento, 81. Desde 2009 já são 1.256 transplantes de córnea (90,9%). De coração apenas dois foram transplantados desde o ano 2009. De rim, até agora somente 108, sendo o último transplante feito em 2012. Transplante de osso apenas 15, sendo o último realizado em 2010.
De órgãos captados no estado, foram 38 desde 2013 até este ano, entre rins, fígado, coração e pâncreas, sendo o de rins com maior captação (total de 26 – 6,74%). Este ano, seis rins foram doados – ano passado chegou a 14 – três fígados, e quatro corações. “Com a Campanha Nacional do Setembro Verde intensificada na mídia, tivemos essa semana doações de córneas quase diariamente. É isso que queremos”, disse Fernandes.
A deputada estadual Goretti Reis levou uma palestra sobre o tema, na manhã desta quinta-feira (17), ao plenário da Assembleia Legislativa para cobrar do governo uma solução. “São mais de 30 mil pessoas em fila em todo o país. Fiz visita no Hospital Universitário tentando viabilizar o retorno dos transplantes. Ao invés do Estado ter evoluído para outros tipos de órgãos, retrocedeu”, critica. A deputada esclarece que já cobrou da Secretaria de Estado da Saúde a viabilização do transplante para ser feito em Sergipe.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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