Mães continuam desesperadas com a suspensão do Atende
Ofício foi protocolado no Ministério Público e elas aguardam retorno Cotidiano 19/02/2014 13h00Por Fernanda Araujo
Continua o dilema dos usuários que necessitam do transporte adaptado e gratuito do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp), o Atende, que será suspenso no próximo dia 25, segundo ofício enviado a SMTT. As mães de crianças e adolescentes com deficiência física se reuniram na manhã de hoje (19) em frente à Prefeitura de Aracaju. Segundo elas, que também fizeram uma manifestação ontem em frente à Assembleia Legislativa, mesmo recebendo a informação de que seria suspenso na próxima semana já na segunda-feira (17) não estava sendo disponibilizado porque o carro estava quebrado.
O Atende é um serviço para oferecer transporte aos usuários cadeirantes que precisam se deslocar de suas residências a clínicas, sessões de fisioterapia, e, em alguns casos, consultas médicas/exames. A van adaptada atende a pessoas como Igor Willams, de 16 anos, que nasceu com paralisia cerebral e autismo. Vânia Silva, a mãe, se desespera. “Já chorei muito. Ele utiliza há 8 anos fazia cinco tipos de fisioterapia no CREA, o carro nos pegava na porta de casa e depois buscava”. Vânia conta da dificuldade de pegar um ônibus, tendo que esperar horas no abrigo e aguentar a falta de respeito de alguns motoristas que não param nos pontos. “Até os taxistas que têm os carros adaptados não ajudam, colocam de qualquer jeito”, diz.
Vânia afirma não saber o que fazer para levar o filho aos dois dias de tratamento. O adolescente já enfrentou cinco cirurgias para correções no pé, no joelho e na bacia, fazia fisioterapia, ecoterapia, hidroterapia, mas teve que parar porque o atendimento já sofria com interrupções. “Era para ser a semana toda de manhã e à tarde, mas aos poucos foram diminuindo os dias porque o carro começou a não comparecer, diziam que estava quebrado e nós, mães, tivemos que escolher dois dias pela manhã ou à tarde”, explica.Elenira Santos é mãe de José Lucas, de 9 anos, que também sofre de paralisia cerebral. Agora sem o veículo buscando na porta terá que enfrentar de ônibus aproximadamente 15 km, entre a sua casa no conjunto Orlando Dantas e o Bairro Industrial, onde o filho faz tratamento no Centro de Reabilitação da Unit.
“São crianças, adolescentes e idosos vítimas de AVC, mais de 300 pessoas não terão mais esse benefício. No começo meu filho fazia todos os dias fisioterapia ocupacional, monitora, consulta com os médicos pediatras, depois passamos a ir só três vezes, depois duas vezes, e agora acabou”, lamenta.
Edjane da Silva, mãe de Arthur, de 12 anos, moradora do bairro Santa Maria, sente receio de perder a vaga na clínica devido às faltas.
Na Prefeitura, a informação passada para as mães é que procurassem a saúde do Município. O Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência esteve presente em apoio ao movimento. Segundo a presidente, Jane Mare Santos da Rocha, a SMTT disse que procurasse a Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), órgão onde as mães receberam a orientação de voltarem à Secretaria Municipal de Saúde na próxima sexta-feira.
“Está um jogo de empurra e as mães estão cansadas de tanto procurar a acessibilidade no dia-a-dia. O Atende foi retirado sem nenhuma alternativa através do Município de Aracaju para que estivessem dando continuidade ao atendimento. Fizemos ofício e entregamos à 4a Promotoria do Cidadão e da Pessoa com Deficiência e do Idoso do MPE e estamos aguardando o retorno”, disse Jane Mare.
Sem recurso
O serviço será interrompido temporariamente, segundo o Setransp, por não haver condições de mantê-lo sem recursos disponíveis para se reinvestir no atendimento. Procurada pelo F5 News, a assessora de Comunicação da entidade, Alessandra Franco, disse desconhecer o custo para manter o serviço e afirmou que a situação ainda será avaliada pelos empresários para verificar a possibilidade ou não de cortar o serviço.Questionada se há possibilidade de pedir ajuda à Prefeitura de Aracaju, a assessoria informou que os empresários não tiveram essa ideia, já que o serviço social gratuito é custeado, totalmente, pelas empresas de ônibus filiadas ao Setransp desde junho de 2006.
Ainda sobre a informação de que os veículos estão parados desde a segunda-feira, afirmou: “O que pode ter acontecido foi a quebra constante das vans devido à idade média que é de oito anos e meio, elas devem ter sido retiradas para reparo, o que também estamos tendo dificuldade de manutenção”, disse Alessandra Franco. O Setransp ficou de enviar nota, mas até o fechamento da matéria não houve retorno.
Foto 1 e 2: Fernanda Araujo
Foto 3: Setransp

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