“João Alves é cruel”, diz comerciante da Praça Camerino
Cotidiano 23/01/2014 18h59Por Laís de Melo
Para o senhor Emanuel Cruz, que comercializa doces em um quiosque da Praça Camerino, em Aracaju, há mais de 20 anos, a decepção com a ordem de despejo do local, que aconteceu no final da tarde desta quinta-feira (23), é maior já que ele é eleitor do atual prefeito da capital sergipana, João Alves Filho. Emanuel revelou que angariou votos para o político na época das eleições e não está nada satisfeito com o retorno.
“Meus genros, minha nora, meus filhos, minha irmã, parentes dos meus genros e da minha nora, praticamente a família inteira votou nele porque eu angariei. Isso porque eu sempre o vi como um político dinâmico, só que eu não sabia que ele era assim tão cruel. Essa é a verdade”, ressaltou, indignado, o comerciante.
Emanuel revelou que o último comunicado foi enviado ontem, junto com a ordem judicial, por um fiscal da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), e que antes disso, eles haviam entrado com uma ação na justiça pedindo uma liminar que impedisse a retirada, e conseguiram, porém o Tribunal da Justiça acatou o pedido da Emsurb de suspendê-la. “Depois disso, tudo aconteceu muito rápido”, disse. Na última segunda-feira (21) eles receberam um comunicando antecipando a ordem judicial, segundo Emanuel.
O comerciante está certo de que outras pessoas serão realocadas nos locais que estão sendo deixados, e acredita que serão pessoas indicadas pelo prefeito. “Sabe o que é isso? QI, quem indica. Tenho certeza que ele vai colocar outras pessoas de interesse aqui”, acredita. Além disso, Emanuel não entende porque isso está acontecendo no âmbito da reforma da praça, por já ter passado por outras reformas ali e terem sido, então, deslocados para outros locais e terem retornado para os quiosques com indicação da própria prefeitura. “Essa banca é padronizada. Na época eu tive que vender minha casa. Hoje eu não tenho casa e vou perder a banca”, revelou.
Não é só ele que está indignado com a ordem de retirada. O dono da barraca que vende lanche, o famoso hot dog prensado da Camerino, estava acompanhando de longe a retirada do quiosque. Márcio Henrique (foto à esquerda) disse que não assinou a ordem enviada pelo fiscal e achou um absurdo não ter sido entregue por um oficial de justiça. Além disso, ele criticou a reforma da praça, revelando ter acompanhado que apenas cimento foi colocado. “Esse é o cimento mais caro do mundo, porque a estátua é a mesma, o palco é o mesmo, o que eles estão fazendo? Colocando R$ 800 mil no bolso e ninguém fala nada”, disse. Confira na foto abaixo a situação da obra.Os proprietários dos quiosques não são os únicos prejudicados. Edmilson é funcionário do senhor Emanuel há 20 anos e agora está desesperado. “Estou desempregado, não sei o que vou fazer”, disse. Outras três pessoas que trabalham no Dog Prensado também estarão desempregadas a partir de hoje, e também não fazem ideia do que vão fazer das suas vidas.
A assessora de comunicação da Emsurb, Gabriela Barbosa, disse que pelo Plano Diretor da cidade existe a exigência de que só pode funcionar um equipamento a cada 4.000m². Segundo ela, a praça Camerino tem cerca de 10.000 m², o que significa que só podem existir dois quiosques nesta praça. “Nós optamos pela retirada dos menos antigos. E eles já sabiam dessa ordem, desde o ano passado que estão sendo avisados. Jamais iríamos dar uma ordem dessa de sopetão”, afirmou.
Fotos: Willams Rodrigues

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