Inclusão escolar é maior dificuldade de pessoas com Síndrome de Down em Sergipe
Cotidiano 21/03/2017 18h15

Por Will Rodriguez e Fernanda Araujo

Acabar com a discriminação e incluir pessoas com alterações genéticas na sociedade. O discurso aparece em leis, em decretos, em organizações públicas ou privadas, na boca de políticos, além de ser um direito garantido pela Constituição Federal. Para os portadores da síndrome de Down em Sergipe, no entanto, as dificuldades começam na escola.

Estabelecimentos particulares cobram taxas extras para matricular esse tipo de aluno. A prática é ilegal e considerada criminosa, segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Impedir esse tipo de discriminação é o maior desejo de pais de portadores da síndrome ouvidos pelo F5 News neste 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down.

Os relatos das situações de preconceito se multiplicam e preocupam porque, sem a oportunidade de ter uma formação adequada, as pessoas com síndrome de down terão mais dificuldade para construir uma profissional e social, como é possível.

Além da escassez de vagas na rede pública, alguns colégios particulares cobram mensalidade mais cara para crianças com a alteração genética, embora seja proibido por Lei, e nem sempre oferecem a estrutura adequada.

“A inclusão está só no papel porque quando você vai atrás, a escola não recusa, mas deixam (a criança) de lado, não tratam como devem. Sabemos que a criança tem dificuldade no aprendizado e a escola não faz o ensino adequado”, afirma a professora Maria Vânia (foto principal), mãe de um menino de 8 anos com Síndrome de Down.

Com a dona de casa Denise Gomes, mãe de uma menina de quatro anos, a realidade foi menos dolorosa porque ela conseguiu encontrar uma escola, onde a diretora também era mãe de uma criança com a síndrome. “Mas já sofri preconceito até mesmo dentro de um ônibus, as pessoas olham de canto, é difícil até ceder o lugar”, diz.

Em junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) para derrubar obrigação de as escolas privadas e cursos se adaptarem para receber pessoas com deficiência ou cobrar mais caro pela mensalidade destes alunos.

A diretora da Associação Sergipana do Cidadão com Síndrome de Down (Cidown), Alynne França, acredita que as barreiras do preconceito têm sido superadas, ainda que a passos lentos. Segundo ela, o grande desafio dos educadores é compreender o que de fato é garantir acessibilidade. “Incluir não é colocar a criança ou adolescente simplesmente na sala de aula, mas é adaptar conteúdo, discutir junto com a família, fazer uma participação efetiva na construção do ensino”, define.

Outras dificuldades, como a falta de profissionais especializados na rede pública de saúde, se impõe no cotidiano das pessoas que vivem com Down. Para a procuradora do Estado Rita de Cássia, mãe de uma criança de um ano e meio com Down, o preconceito se revela até em atitudes simples, mas que demonstram a falta de conhecimento. “O preconceito é filho da desinformação e da ignorância”, conclui. 

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