Homem é suspeito de cadastrar parente que já morreu no Bolsa Família
Ele era servidor de um cargo em comissão de Maruim. PF investiga o caso
Cotidiano 14/11/2014 12h00

Por Fernanda Araujo

A Secretaria de Ação Social da cidade de Maruim (SE), a 30 km de Aracaju, descobriu irregularidades no cadastro de alguns beneficiários do Bolsa Família do Governo Federal. Foi constatado que um servidor de um cargo comissionado estaria desviando parte das verbas do programa para fins particulares. O suspeito foi denunciado e o caso está sendo investigado pela Polícia Federal.

De acordo com informações apuradas por F5 News, o homem foi contratado pela secretaria há dois anos como digitador. Ele trabalhava cadastrando os beneficiários, tendo total acesso ao sistema. O servidor chegou a fazer dois cadastros como titular do benefício e outros com os nomes do filho, da filha, da esposa e da própria mãe, que já faleceu. Ainda não se pode precisar o montante que teria sido desviado, uma vez que as investigações estão em andamento e o valor do benefício varia de acordo com a quantidade de filhos e da renda familiar.

Para ter acesso ao Bolsa Família é preciso ter meio salário mínimo de renda. A partir do salário mínimo em diante está fora dos critérios exigidos. Em todos os cadastros o suspeito teria declarado renda zero, com isso, o valor do benefício aumentava para ele e parentes. F5News apurou ainda que o esquema foi descoberto quando a coordenadoria do Bolsa Família em Sergipe desconfiou ao encontrar cadastros de famílias extensas recebendo valores altos, além disso, uma pessoa teria denunciado à secretária de Ação Social do município, Tânia Soares, que ele estava fazendo saques desse dinheiro com o cartão do benefício.

Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de Maruim, o servidor foi exonerado do cargo de comissão e afastado de imediato de suas funções pela Secretaria de Ação Social do município.

O caso já foi denunciado à Polícia Federal, que segue com as investigações para identificar outros possíveis culpados. A comunicação da PF disse não estar autorizada a passar informação e a delegada responsável pela assessoria de comunicação, Mônica Horta, está de licença médica.

Pela assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides), foi dito que em todos os casos envolvendo recursos federais, como o Bolsa Família, uma equipe é disponibilizada para que os gestores possam buscar esclarecimentos e tirar dúvidas. Além disso, o Estado orienta ainda que o gestor encaminhe denúncia à Polícia Federal e ao Ministério de Desenvolvimento Social.

“No caso de Maruim foi feito o mesmo, a secretária solicitou ao Município que fizesse a denúncia formal à PF o mais breve possível para que seja investigado”, ressaltou a assessora Joice Peixoto.

Outro caso

Outro caso da mesma natureza aconteceu na cidade de Riachuelo. Recentemente um inquérito foi aberto para apurar denúncias sobre prováveis fraudes praticadas no Município em desfavor do programa. A fraude estaria sendo cometida por uma funcionária de uma das secretarias da prefeitura e por uma agente comunitária moradora da cidade que teria recebido indevidamente do programa o valor de R$ 1.956. As duas foram denunciadas ao Ministério Público Federal. 

Imagem: divulgação

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