HIV/AIDS: discussão sobre criminalização da transmissão é negativa
Cotidiano 25/03/2015 13h23

Recentemente a mídia divulgou a nível nacional uma prática chamada ‘Clube do Carimbo’, em que pessoas soropositivas contaminavam outras propositalmente tirando a camisinha sem o parceiro perceber ou furavam o preservativo durante as relações sexuais. A partir daí criou-se a discussão sobre a criminalização da transmissão do HIV.

De acordo com o médico e gerente do programa Estadual DST/AIDS da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Almir Santana (foto), a discussão da prática do ‘Clube do Carimbo’ pela mídia leva a criminalização da AIDS, o que vai contra as estratégias e Políticas adotadas no país para prevenção e diagnóstico precoce da doença, além de ir contra, também, os esforços que têm sido empreendidos para combate ao preconceito e discriminação das pessoas que vivem com HIV/AIDS.

“Repudiamos o ‘Clube do Carimbo’ porque promove a relação sexual não consensual e sem proteção. A forma como o assunto está sendo abordado leva a sociedade a criminalizar todas as pessoas que vivem com HIV/AIDS e isso vai fazer com que as pessoas deixem de procurar o diagnóstico precoce para início do tratamento. Quanto antes uma pessoa inicia um tratamento, melhor será a qualidade vida dela. Outro lado do nosso trabalho é o combate ao preconceito e à discriminação das pessoas que vivem com a doença”, disse Almir Santana. 

Segundo o gerente do programa de DST/AIDS, é preciso separar as pessoas que vivem com a doença e aquelas que vivem com a doença e a transmite propositalmente, o que configura um crime.

“Precisamos deixar bem claro que as pessoas que vivem com HIV/AIDS não são criminosas e a prevenção é responsabilidade de todos em usar e exigir o uso dos preservativos nas relações sexuais. Aqueles soropositivos que transmitem a doença propositalmente para as outras furando a camisinha ou retirando-a durante a relação sexual sem o parceiro saber, devem ser penalizadas pela legislação se a prática for comprovada. É essa prática que nós repudiamos”, esclareceu Almir Santana.

O médico ainda recomendou que os exames de DST/AIDS sejam feitos regularmente ou sempre que a pessoa se expor ao risco.
“Atualmente o exame para detecção do HIV é feito com apenas um furo no dedo e o resultado é dado em até 20 minutos. Basta que as pessoas procurem uma Unidade Básica de Saúde para fazê-lo gratuitamente ou vá até a Unidade Móvel Fique Sabendo. Em Sergipe, todos os municípios têm equipes de Estratégia de Saúde da Família nos 75 municípios já capacitadas para executar o Teste Rápido”, disse o coordenador do programa DST/AIDS da SES. 

Lendas urbanas e pânico

Nos 31 anos de epidemia da doença, muitos casos inverídicos relacionados ao HIV/AIDS foram contados, inclusive nas redes sociais, e causaram pânico na sociedade. Eles também são relacionados à criminalização da AIDS.

“Entre eles está a propagação do HIV utilizando seringas ‘espetando’ pessoas em grandes festas populares ou colocando em bancos de cinemas e teatros agulhas tentando infectar pessoas. Mais recentemente, criaram mais uma lenda urbana, dizendo que havia uma mulher vestida de branco, no centro de uma cidade, que estaria oferecendo o teste da glicemia, mas que a intenção era ‘contaminar’ as pessoas. Essas lendas urbanas somente contribuíram para o reforço do preconceito e discriminação das pessoas vivendo com HIV/AIDS”, finalizou Almir Santana.

Foto: Arquivo F5 news

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