Gentileza gera Gentileza: dar um bom dia faz a diferença
O individualismo prejudica a gentileza com o próximo, afirma psicóloga Cotidiano 13/11/2014 14h30Por Fernanda Araujo
Que tal você dar um bom dia ou um aperto de mão? O Dia Mundial da Gentileza é comemorado em 13 de novembro. A ideia surgiu numa conferência em Tóquio realizada em 1996 e criado oficialmente em 2000, reunindo grupos que propagavam a gentileza. Em casa, no trabalho, no trânsito, no supermercado, em todos os locais não é difícil encontrar alguém que trata os outros mal por motivos banais.
Para dar um exemplo, a falta de cordialidade no trânsito provocou no ano passado, em Sergipe, 2.553 lesões culposas (sem intenção), segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em dados divulgados esta semana. Além disso, o levantamento apontou em em 2012 registrou-se 3.064 casos de lesão corporal dolosa (intencional) e esse ano o número saltou para 4.294 casos. No estado, ano passado 955 pessoas morreram por agressão. Não há dados de Sergipe sobre a quantidade de crimes enquadrados na categoria: motivos fúteis ou impulso. Mas não é raro encontrar em boletins de ocorrência briga familiar, conflito entre vizinhos, homofobia, intolerância religiosa, racismo e rixa.
Mas por que as pessoas andam tão estressadas, agressivas e se esquecem de ser gentis? Para o químico Homero Miranda dos Santos, a própria situação crítica do país tira a paciência da pessoa que, se é mal tratada, consequentemente, irá tratar mal o próximo. “O desemprego, roubos, o baixo salário, o dia a dia em si - tudo nesse país é difícil, os políticos que não fazem aquilo que deve ser feito. Durante o nosso ciclo vital a gente é tratado direto com grosseria. A gente vê a saúde mal, gente morrendo. Esse país não melhorou nada”.O corretor de imóveis, Fernando Oliveira (ao lado), também acredita que a situação financeira e o trânsito prejudicam as relações humanas. “Eu muitas vezes já fui tratado de forma grosseira como também já destratei por questões banais. A gente não para para pensar no que fez e, quando fez, vê que não tinha necessidade daquilo. Não é nem falta de educação. A gente já sai de casa estressado, a mulher cobra isso, o filho cobra aquilo, e quando sai já fica com raiva do mundo”.
Um simples bom dia ou aperto de mão é possível de fazer efeito contrário, para o agente de trânsito e corretor de imóveis Sidney Ulisses (foto principal), idealizador do movimento Gentileza gera Gentileza, em Aracaju. Ele entende que a gentileza pode ser uma ferramenta da melhor qualidade para melhorar as relações humanas na família, no trabalho e especialmente no trânsito. “Sou profissional de trânsito e acho uma monstruosidade contra a sociedade a gente perder vidas porque as pessoas não praticam gentileza. O trânsito não mata em si mesmo, o trânsito é organizado e a lei é boa, o que mata são os valores das pessoas. Como faltam valorização da vida e amor ao próximo as pessoas não respeitam limites, a figura humana, e acabam morrendo”, afirma.
Segundo ele, questões financeiras não podem ser desculpas para tratar mal o outro. “Acredito que quando a gente se dispõe a praticar gentileza a questão material passa a ser de segundo plano. Não quer dizer que as pessoas vão ser pobres, gentis e felizes, mas a gentileza atrai gentileza. Quando trata bem as pessoas, você passa a oferecer um diferencial à sociedade e é reconhecido. No trabalho eu pratico gentileza, cumpro horários, respeito pessoas. Ser gentil é extremamente positivo. Amar o próximo e fazer o bem é ser gentil”.
Relações pessoais e interpessoais positivas
Segundo a psicóloga Milena Mendonça (ao lado), que adota a Psicologia Positiva (www.milenamendonca.psc.br), atualmente as pessoas estão mais preocupadas com suas próprias questões e rotinas e, devido a isso, tendem a se tornar egocêntricas, veem seus problemas como mais importantes e não observam o entorno social. Para ela, isso é a imagem de uma cultura ocidental individualista que se caracteriza em uma relação de perda e ganho.“Ou seja, se você ajudar uma outra pessoa significa as pessoas, que estão inseridas nesse tipo de cultura, estar ajudando um concorrente. É muito comum a gente observar situações de inveja, competição e rivalidade, inclusive entre parentes. No individual a gente perde instituições positivas, as famílias não estão se tratando de maneira cooperativa, nem no ambiente de trabalho”.
Na Psicologia Positiva pesquisas indicam que a a virtude de ser gentil está diretamente ligada à felicidade. “Uma psicóloga pediu para os sujeitos da pesquisa dela fazerem cinco gentilezas um dia na semana durante um mês. Foi descoberto que todas essas pessoas que participaram se sentiram mais felizes, cooperativos, tiveram sensação de bem estar físico e psíquico maior. Todo o dia a gente tem que olhar o outro pensando em como gostaria de ser tratado. Olhar o outro como alguém igual a você, se identificar com o sofrimento do outro, isso ajuda se tornar uma pessoa mais gentil, cooperativa e consequentemente mais feliz”, acrescenta.
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