Fisioterapeutas querem aumento do valor repassado pelos Planos de Saúde
Categoria recebe em média R$ 8 por sessão em Sergipe
Cotidiano 05/11/2014 13h44

Por Will Rodrigues

Cerca de R$ 8, esse é o valor pago pelos planos de saúde aos fisioterapeutas por cada sessão, que dura em média 1 hora. O preço é praticado há pelo menos 20 anos. Insatisfeitos, profissionais e estudantes da área foram ao Ministério Público Estadual (MPE), durante esta quarta-feira (5), para pedir o acompanhamento do órgão nas negociações com a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), que representa 23 planos de saúde do estado.

De acordo com o presidente da Associação dos Prestadores de Serviço de Fisioterapia do Estado de Sergipe (APFISIO/SE), Lucas Rego, a principal reivindicação da categoria é a implantação da tabela referencial de honorários estipulada pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO). “O conselho federal estabelece uma média de R$ 40 por cada sessão e o valor que nós recebemos hoje está muito abaixo, pois não ultrapassa os R$ 8 na maioria dos planos. Isso prejudica a forma como nós atendemos nossos pacientes”, afirma.

Atualmente, o estado possui cerca de 1.200 fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais atuando e em torno de mil acadêmicos, mas essa desvalorização tem desmotivado a categoria, que não descarta a possibilidade de desvinculação dos planos de saúde. “Hoje, 30 clínicas estão sem os profissionais, mas o risco de desassistência permanente é real”, observa Lucas Rego (foto ao lado).

Preocupação

Os futuros profissionais da área também estão preocupados com a realidade da categoria no estado. O estudante Rafael Souza, que deve concluir o curso na Universidade Federal de Sergipe (UFS) no próximo ano, aponta que os baixos valores pagos geram a precarização do serviço. “Nós estudamos para dar o melhor aos nossos pacientes, mas quando chegamos no mercado de trabalho encontramos essa falta de valorização que com certeza interfere no tipo e na qualidade do atendimento que o profissional oferece”, reclama.

A acadêmica Radfan Neuman (foto ao lado), 20 anos, que estuda em uma universidade particular e está no 6º período do curso, salienta que, além da falta de retorno para o alto investimento na formação, a desvalorização também é responsabilidade da categoria. “Hoje a mensalidade custa em média R$ 750 e ainda gastamos com passagem, alimentação e material, mas não temos a devida valorização da profissão. Penso também que os fisioterapeutas precisam demonstrar mais as especificidades do trabalho que desenvolvem, pois não estudamos apenas para fazer massagem”, opina.

Nessa terça-feira (4), a categoria se reuniu com os representantes dos convênios de saúde  e entregaram as suas reivindicações. As negociações vão se estender por mais 60 dias, quando a UNIDAS deve apresentar um posicionamento.

Fotos: Will Rodrigues

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