Filme sobre mulheres torturadas na ditadura será exibido pela OAB/SE
Cotidiano 28/03/2014 09h32

Por Fernanda Araujo

O  documentário brasileiro “Que bom te ver viva”, de Lúcia Murat, de 1989, retrata a situação da tortura vivenciada durante a ditadura militar por mulheres brasileiras que lutaram pela democracia. Esse filme será exibido gratuitamente, nesta sexta-feira (28) às 19h no auditório da Escola Superior de Advocacia (ESA), prédio antigo da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), travessa Martinho Garcez, 71, (a praça Camerino).

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da OAB/SE (CDDM/SE), em parceria com a entidade "Coletivo de Mulheres", a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM/SE), farão o evento alusivo à passagem dos 50 anos instauração da ditadura militar no Brasil, no dia 31 de março de 1964. É aberto ao público e não precisa fazer inscrição.

Após exibição do documentário, as mulheres farão um debate mostrando a evolução e as dificuldades das mulheres no país. “Vamos mostra a luta de mulheres que foram decisivas no Brasil e no mundo contra a discriminação e a violência. Mulheres que estiveram à frente das lutas pela igualdade de direitos. O que não é muito divulgado e não muito reconhecido”, explica a advogada e primeira secretária da CDDM/SE, Valdilene Oliveira Martins (foto). Duas dessas mulheres notáveis foram Bertha Lutz, que desde da conquista da mulher pelo direito ao voto se tornou deputada, e Olga Benário, presa política na ditadura militar. São nomes que, segundo a advogada, muitos se esqueceram.

De acordo com Valdilene Martins, na agenda da comissão, vários outros filmes são sempre exibidos, além disso, diversas ações estão sendo feitas para assegurar o direto dessas mulheres, buscando o cumprimento da lei.  Exemplo disso, são trabalhos de conscientização e formação de parcerias com entidades. “Estamos prosseguindo, mas a caminhada ainda é longa”.

Caminhada longa

Para a advogada, o crime contra a mulher, principalmente efetuadas pelos ex-maridos inconformados pelo fim do relacionamento, é fruto do pensamento masculino de superioridade e de posse da vida e da morte. E considera como uma cultura enraizada que afeta até as próprias mulheres que acreditam ser inferiores ao homem, tanto no relacionamento quanto no trabalho.

“A mulher descobriu o âmbito público, o que antes só se limitava ao privado, como ser professoras, empregada. Mas o homem ainda não entendeu que na vida, num casamento, por exemplo, os dois devem ser parceiros em todos os lados. Desde a Constituição de 88, fica claro que os homens perante a lei são iguais nos direitos e nas obrigações. Mas, infelizmente, ainda existe a questão cultural de que a mulher é acessório, é patrimônio masculino, e muitos não percebem”, disse.

 

Foto: Ascom da OAB/SE

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