Famílias da ocupação ‘Nasce a Esperança’ resistem à ordem de despejo
Defensoria Pública deve mover ação contra Estado e Município de Aracaju Cotidiano 30/09/2015 14h16Por Fernanda Araujo
A ordem de reintegração de posse para as 400 famílias que ocupam um terreno há um mês e 15 dias, localizado no final de linha do bairro Santa Maria, foi dada pelo oficial de justiça da Prefeitura de Aracaju. O prazo de 15 dias para a saída terminou terça-feira (29), mas os ocupantes estão resistentes. A Polícia Militar ainda não foi ao local.
Segundo Jackson Miller Batista dos Santos, coordenador da ocupação denominada ‘Nasce a Esperança’, há mais de 30 anos que o terreno está abandonado, sendo usado como esconderijo de ladrões, para desmanche de carros, desova de cadáveres e até estupros.
“Vai colocar onde essas pessoas? Ao invés da prefeitura vender as terras dela por que não dá para essas famílias que estão aqui? Nunca teve dono, agora, a Coca-Cola, junto com a prefeitura, diz que a área é dela. São famílias necessitadas que precisam desse local, muitos vieram de casa de parente, de aluguel, moradores de rua que não têm onde morar. É contado a dedo quem recebe bolsa-família, muitos nunca tiveram benefício do governo. Vamos resistir até o fim e daqui nós não vamos sair”, afirma Jackson.
Crianças, idosos, homens e mulheres, entre os quais pessoas com necessidades especiais, moram em barracas. Muitos estão desempregados e outros tentam uma renda fazendo serviço de carroceiro. Os ocupantes fizeram uma barricada com pneus, galhos de árvores, e até um buraco para impedir a entrada da polícia.“Estamos na esperança de que não aconteça esse despejo. Somos pais e mães de família lutando por nossa casa. Recebo bolsa-família que é bolsa miséria, deveria dar era bolsa-trabalho, não dá para sobreviver. Não acreditamos mais no prefeito. Não estamos brigando por auxílio, esse vai ser em último caso, estamos lutando por terra, queremos esse terreno”, cobra Liliane Alves dos Santos.
Verônica Marcelina Silva Costa trabalhava como diarista, mas foi despedida. Sem condições de pagar aluguel, procurou abrigo com os demais ocupantes. “Se eu pagar aluguel eu não vou comer. Se a gente não for buscar moradia aqui, vamos aonde? Debaixo da ponte? Não queremos roubar nada de ninguém, só queremos nossa casa. Até os cachorros merecem um lugar para morar”, diz.
A Defensoria Pública realiza um levantamento da área para tomar uma medida judicial contra o Estado e contra o Município de Aracaju, no objetivo de que prestem assistência às famílias. “Na eventualidade de não conseguirem local para ficar, vamos mover ação para que seja concedido auxílio-moradia. Eles não podem ficar na rua no caso da reintegração ocorrer”, explica o defensor Alfredo Nikolaus. A defensoria deve ir ao local na próxima terça-feira (06).
F5 News tentou contato com a Secretaria de Assistência Social do Município, mas a ligação não era concluída. O portal continua à disposição.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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