Familiares, amigos e fãs se despedem do cantor Rogério
Cotidiano 14/08/2014 13h52

Por Fernanda Araujo

“Sergipe o país do forró” não será cantada mais da mesma forma, não terá mais a mesma voz. Fãs, autoridades, amigos e familiares estiveram presentes no velório do cantor e compositor Pedro Rogério Cardoso Barbosa, mais conhecido como Rogério, durante toda a manhã desta quinta-feira (14), em Aracaju (SE). O corpo foi velado na Osaf durante a realização de três missas pelo padre Cleberton Lima, pároco da cidade de Malhador, e pelo pároco da Paróquia Jesus Ressuscitado de Aracaju, Genivaldo Garcia. Ainda na tarde de hoje o corpo segue para a cidade de Estância, onde nasceu Rogério. para a realização de outro velório e o sepultamento às 17h no cemitério Nossa Senhora da Piedade.

Sua principal música que levou o Estado de Sergipe além fronteiras foi constantemente lembrada por todos os presentes. Marido de Elaine da Graça, pai de quatro filhos, filho de dona Áurea Cardoso Barbosa, de 80 anos, ele era o quinto de 11 filhos. Hoje a família perde o quarto membro. Para o irmão José Leonardo, Rogério representava a cultura de Sergipe e desde criança sempre quis a música como trabalho.  

“Mesmo naquela época que ser cantor não era uma coisa muito bem vista, Rogério sempre enfrentou os obstáculos até dentro da nossa família, conseguiu vencer, representou bem a música sergipana no Sul do país e além fronteiras. Nossa família é muito unida, apesar das perdas serem grandes e já perdermos quatro irmãos. Ele sempre foi muito ligado conosco. Depois entrou para a Missão Canção Nova e aumentou mais ainda a união. Já se apresentou na TV Manchete no programa de Angélica, foi para o Show da Xuxa e daí em diante levou a nossa música para todos os cantos, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e mostrou que aqui não é tão miserável como essas pessoas pensavam”, disse.

O corpo de Rogério chegou na madrugada de hoje, vindo da cidade de São Paulo (SP) onde fazia tratamento aos 57 anos em decorrência de uma doença hepática, contra a qual ele lutava há seis meses. Parentes de Brasília, Recife e Maceió vieram a Aracaju e Estância para se despedir. O velório também teve a presença de autoridades como o vereador Lucas Aribé e do governador do Estado, Jackson Barreto, e de amigos como Robertinho, filho da cantora Clemilda, e da cantora Joseane de Josa, filha do cantor Josa.

“Rogério foi o maior divulgador da música popular sergipana e eu o identifico como a alma sergipana dos festejos juninos, aliás, a sua música ‘Sergipe o país do forró’ que conseguiu divulgar mais o nosso estado, tornou-o mais conhecido e inserido nos festejos. Eu lamento profundamente pelos seus familiares, decretei luto oficial por três dias. O país do forró está de luto”, afirmou o governador Jackson Barreto (a esquerda).

“Eu peço a todos que lutem, pegue o exemplo de Rogério p

ara aplicar em suas vidas, Sergipe precisa ser recebido nacionalmente com respeito pelo o que tem de valor. O Estado está órfão duplamente por ele e por Pedrinho Valadares. Nós nos sentimos altamente prejudicados no dia de hoje, mas é a vontade de Deus e a gente tem que se curvar”, complementa o reitor da Unit, Jouberto Uchôa (à direita), acreditando que o Estado precisa valorizar mais seus artistas.

Na minha família fica um buraco porque é mais um que se vai e a dor é muito grande. É difícil conter a emoção porque independente do artista é um ser humano que sofreu crendo em Deus, em tudo que poderia vir de bom para ele. O que a gente pode levar de lição é a alegria, tudo o que ele fez pelo estado, divulgando sem nunca negar suas raízes. A gente está dilacerado, não tem como expressar um sentimento de tristeza. É orar, pedir a Deus força para seguir em frente porque a vida continua. O povo estanciano está de luto tanto quanto nós da família, tem pessoas que estavam em Estância ontem com minha avó dando apoio e que conheceram ele praticamente recém nascido”, lamenta a sobrinha Marília Barbosa (à esquerda).

“A gente só tem a agradecer a demonstração de carinho das pessoas que vêm fazer as suas homenagens particulares, estamos em clima de oração. A gente só tem a louvar a Deus pela vida de Rogério, pelas pessoas que demonstram esse carinho. É uma prova que ele passou por aqui de uma forma humana, verdadeiramente como filho de Deus. Fãs de todo o interior vêm nos cumprimentar, o importante é que fica a obra dele e só faz perpetuar o legado que ele deixou”, disse o sobrinho Davi Calazans (à direita), que bastante emocionado cantou na missa.

“Lembro do que ele me disse ‘J

osa é um vaqueiro forte’ e eu entendia que ele é quem estaria me dando esse abraço cronologicamente falando. E hoje eu venho aqui, a gente tem que ser profissional e cristã, aceitar o desígnio de Deus. Quando ele cantava ‘Sergipe é o país do forró’ ele queria dizer que forró não era só no mês de junho. Rogério para mim é sinônimo de coragem, persistência, perseverança, força e que foi um lutador até agora na sua passagem. E ele também teve o presente de ser amparado espiritualmente e ter uma grande mulher com ele e os filhos”, acredita Joseane de Josa (ao lado), cantora e amiga da família.

Cristóvão Souza Júnior também lamenta a morte do amigo e conterrâneo. “É lamentável a perda de um grande amigo que levou além fronteiras não só o nome de Estância, como aquela música inesquecível “Sergipe o país do forró” sem recurso nenhum, sem apoio de ninguém, mas na coragem. Há oito meses almoçamos juntos, é um cara muito dado com todo mundo. O sergipano precisa ser valorizado e Rogério foi um cara que ousou. Realmente é um momento de luto, mas também de fazer um alerta: por que não apoiar as pessoas da terra, por que só os de fora?”.

“Perdemos um grande artista do Brasil. Rogério dignificou o nosso forró. Essa música ‘Sergipe o país do forró’ o Brasil todo conhece, e foi uma referência, uma lacuna que dificilmente vai preencher, foi um dos grandes compositores e músicos. Lamentamos muito, Sergipe ficou pobre com a perda de nosso querido Rogério. Como eu sempre digo: Deus é o Senhor de tudo, Ele sabe o que faz. Mas, sabemos que o forró lá no céu vai ficar muito bom agora com Rogério, ele vai se encontrar com Gonzaga, Dominguinhos, aquela turma toda”, afirma o pesquisador musical Clenaldo Santos.

O cantor e compositor Isac Borges também fala da sua aproximação musical. “Rogério é privilégio de poucos pela questão da alegria e de lutar para divulgar o estado. Seria clichê dizer que Rogério é o precursor da música sergipana, mas é o cara que mostrou a luta dele. Independente de pegar bandeira para intitular, temos outras grandezas na nossa música como Amorosa, Chico Queiroga e Antônio Rogério, eu tive o privilégio de participar de alguns projetos com

essas pessoas e me sinto lisonjeado. É uma perda irreparável. Eu estendo minha solidariedade aos familiares e agradeço aos que puderam fazer alguma coisa por ele”.

A professora Aglaé Fontes (à esquerda), vice-presidente da Funcaju, também esteve presente e lembrou a homenagem a Rogério entregando o Troféu Gerson Filho, no Fórum do Forró, realizado esse ano pelo reconhecimento do seu talento e comprometimento pela música sergipana. “Rogério pertencia a uma família maior que era a família sergipana, ele cantou sua cidade, sua terra. Eu acho que a área cultural está realmente muito ressentida com essa ausência, embora a gente saiba que o artista se vai, mas a obra fica. Nos corações de todo mundo vai ficar ecoando aquele refrão que ele tanto cantou e encantou o estado. A sua forma de mostrar as raízes culturais da terra dele. A gente agora está sofrendo com a situação de Clemilda, a gente vai perdendo e ficando menor”.

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