Estudo revela que 3,58 sergipanos podem ser assassinados antes dos 19
Estado ocupa 11ª posição no ranking nacional
Cotidiano 28/01/2015 20h26

Por Will Rodrigues

Na noite da última segunda feira-feira (26), a jovem Gisleide Carvalho dos Santos (foto), 18 anos, entrou para as estatísticas do Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), ao ser morta a tiros na rua capitão Manoel Gomes, no bairro Santos Dumont, zona Norte de Aracaju. O estudo do IHA divulgado nesta quarta-feira (28) pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) revela que 3,58 entre cada mil jovens sergipanos correm o risco de serem assassinados antes de completarem 19 anos. Esse dado confere ao estado a 11ª maior taxa de risco no ranking feito entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.

De acordo com os dados, a região Nordeste apresenta a maior incidência de violência letal contra adolescentes, com um índice igual a 5,97. Sergipe ocupa a 7ª posição entre os estados nordestinos, ficando à frente apenas do Maranhão (2,42 ) e do Piauí (2,26).

A pesquisa mostra que os adolescentes do sexo masculino têm 11,92 vezes mais chances de serem mortos do que as do sexo feminino. A diferença cresceu em relação a 2011, quando era 10,3. Em relação ao perfil dos adolescentes com maior vulnerabilidade, o estudo revela que a possibilidade de jovens negros serem assassinados é 2,96 vezes maior do que os brancos.

Outra conclusão do estudo é que as chances de morrer vítima de arma de fogo é 4,67 vezes maior do que por outros instrumentos, o menor patamar da série iniciada em 2005. Em 2009, o risco era 6,17 vezes maior.

Brasil

Produzido com base em dados de 2012, o IHA estima que mais de 42 mil adolescentes, de 12 a 18 anos, poderão ser vítimas de homicídio nos municípios brasileiros de mais de 100 mil habitantes entre 2013 e 2019. Isso significa que, para cada grupo de mil pessoas com 12 anos completos em 2012, 3,32 correm o risco de serem assassinadas antes de atingirem os 19 anos de idade. A taxa representa um aumento de 17% em relação a 2011, quando o IHA chegou a 2,84.

Hoje, os homicídios representam 36,5% das causas de morte dos adolescentes no país, enquanto para a população total correspondem a 4,8%. Para a elaboração do IHA, foram analisados 288 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. O levantamento tem como base os dados dos Censos 2000 e 2010, do IBGE, e do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

O IHA faz parte das ações do Programa de Redução da Violência Letal Contra Adolescentes e Jovens (PRVL), criado em 2007 e foi produzido em parceria com Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ).

Enfrentamento

Para a ministra da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Ideli Salvati, os números são preocupantes: “A desigualdade está caracterizada de forma muito clara no mapa da violência. Há desigualdade de raça, de gênero e com um corte de classe".

A ministra anunciou a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial, que será responsável por elaborar o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Letal de Crianças e Adolescentes. O objetivo é definir estratégias e políticas públicas para reduzir a incidência de homicídios entre a população jovem no Brasil.

Segundo a ministra Ideli Salvatti, será prioridade fortalecer as ações de promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes em âmbito nacional. “É uma ação do Governo Federal na construção de um plano nacional para prevenir as mortes de adolescentes e acabar com esse ciclo de violência ”, destacou. 

Além da SDH/PR, o grupo será composto por representantes da Secretaria Nacional de Juventude e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. No entanto, outros órgãos poderão aderir à iniciativa. O plano deve ser lançado ainda em 2015.

*Com informações da Agência Brasil e SDH/PR

Fotos: reprodução internet e Arquivo F5 News

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