Estudantes temem não se sair bem na prova do Enem por causa da greve
Professores da rede estadual estão paralisados há 16 dias
Cotidiano 02/06/2015 07h15

Por Fernanda Araujo e Will Rodrigues

O estudante do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Atheneu Sergipense em Aracaju Gustavo dos Santos é um dos 170 mil alunos que estão sem aulas por conta da greve dos professores da rede estadual. Em outubro, ele participa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).  O candidato está animado para a prova, mas teme que com a paralisação seja prejudicado. “Vamos fazer a prova sem ter visto pelo menos 70% do conteúdo do 3º ano. Para fazer a prova bem, estou estudando em casa.”, afirma.

Para ele, o movimento compromete ainda mais o ano letivo. “A greve tem prejudicado não só a mim, como a todos os outros estudantes. Todo mundo sabe que o calendário letivo da rede particular começa primeiro que o nosso na rede pública, então eles já levam vantagem, e ainda tem esse problema da greve que vai atrasar mais e mais”, lamenta Gustavo.

Assim como Gustavo, a aluna Grazielly Rozendo, 19 anos, também se sente prejudicada e acredita que falta preocupação com os estudantes. “A gente merece mais atenção. Estamos vivendo um momento muito importante para as nossas vidas. Muita gente não vai ter condições de pagar uma universidade e precisa conseguir uma boa nota no Enem”, ressalta.

Quem também está preocupado com a greve é João Ricardo, 18 anos. O estudante defende um entendimento imediato entre Governo e professores. “Eles precisam chegar a um consenso e não ficar só buscando seus interesses, porque sem aula só os alunos perdem nessa história”, comenta.

O diretor do Atheneu, Genaldo Freitas, afirma que a greve altera o calendário que já está comprometido por conta da paralisação de 2014. “A gente está de mãos atadas, porque realmente é uma causa dos professores, a escola continua funcionando, mas não tem aula. Prejudica todo mundo, o calendário da escola, vamos ter o Enem agora em outubro, mas não realizamos nem a primeira avaliação ainda, porque já começamos atrasados em virtude da greve do ano passado”, ressalta

Segundo o diretor, mesmo estando no limite, o calendário será prorrogado. “Vamos tentar, assim que retornar as aulas, montar um calendário de revisões paralelo calendário letivo. Para ajudar os alunos do 3º ano, vamos fazer um calendário de revisões aos sábados, duas vezes por semana”, completa Genaldo.

Queda de Braço

A greve do magistério estadual entrou no 16º dia nesta terça-feira (2). Desde a quarta-feira (27) da semana passada, representantes da categoria ocupam a recepção do Palácio dos Despachos. A principal reivindicação dos mais de 12 mil professores é o pagamento de 13,01% de reajuste para todos os docentes.

Em entrevista coletiva na semana passada, o governador Jackson Barreto (PMDB) pediu que os professores doem à polícia as algemas que usam no protesto no Palácio dos Despachos e cobrou bom senso. “Os secretários já mostraram a situação do Estado, a lei que não permite dar aumento acima do limite prudencial. O que eu queria, agora, era que os espíritos desarmassem. Os professores voltassem à sala de aula. Ninguém perde, ninguém ganha. Agora os alunos perdem. O Estado de Sergipe tem um Ideb muito baixo e não pode se dar ao luxo de passar um mês sem aula. Faço um apelo pelo bom senso. O Estado tendo condições, a gente pode sentar para discutir.  Mas sem condições é impossível”, ratificou.

Foto principal: Eugêncio Barreto/SEED

Foto 2 e 3: Fernanda Araujo

Foto 4: Divulgação Sintese

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