Estudantes LGBT relatam como enfrentaram agressões na escola
Cotidiano 26/11/2016 08h07Por Carolina Souza
Dos estudantes de 13 a 21 anos que se declaram LGBT no Brasil, 27% são agredidos fisicamente nas escolas e 73% são vítimas de agressão verbal devido à orientação sexual, de acordo com a pesquisa lançada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), esta semana.
A pesquisa buscou conhecer a realidade do grupo LGBT, contribuir para a elaboração de políticas públicas e na tentativa de diminuir a violência, uma vez que o Brasil não tem dados oficiais sobre o tema. F5 News ouviu relatos de sergipanos que estão insediros nessa estatística.
A estudante de Publicidade e Propaganda, Carol Oliveira, 20 anos, conta que o período escolar foi muito difícil e que sempre foi perseguida pelos colegas, e até mesmo, por professores e diretores.
“Estudei em um colégio que tinha base na igreja católica e como diretoras tinham freiras. A diretora na época em que eu tinha uns 15 anos mandava os inspetores ficarem de olho em mim no intervalo e me chamava na sala dela às vezes só porque eu estava conversando a sós com uma menina na quadra”, lembra Carol.
Nas pesquisas também pode ser observado que entre aqueles que sofrem agressões verbais, frequentemente, por causa da orientação sexual, 58,9% faltaram às aulas pelo menos uma vez no último mês. Entre aqueles que sofrem agressões por conta da identidade de gênero - por serem travestis ou transexuais - 51,9% faltaram às aulas.
O cenário de violência gera prejuízos na educação formal das vítimas. De acordo com a pesquisa, alunos vítimas de agressões tem 1,5% mais chance de desenvolver depressão.
A estudante de História, Luciana Alves, relata a fase de descobrimento da sua condição somada ao bullyng. “Na escola tinha um professor de religião que fazia questão de associar não só a homossexualidade, mas também sexo, às roupas mais curtas, entidades demoníacas, falta de Deus e outras coisas. Hoje eu tenho noção suficiente pra me abster desses comentários fundamentalistas. Mas, na época eu era uma menina sem amigos, que as meninas faziam chacotas, que vinha de igreja e já carregava uma culpa por si só, me sentia mais excluída, e como se eu fosse uma aberração, o que contribuiu muito pra minha depressão e tomou horas da minha terapia”, conta Luciana.
O estudo também destaca a necessidade de recurso público para produção de pesquisas e campanhas contra discriminação, além da aprovação de leis contra crimes de ódio. "Não queremos incentivar ninguém a ser gay, só queremos respeito", afirma Toni Reis, um dos fundadores da ABGLT e doutor em Educação.
Rafaela Menezes, estudante de psicologia, diz que não recorda de um instante negativo quanto a sua condição dentro do contexto escolar. “Não passei por algo que ache que seria agressão verbal. Quando mais nova, acho que no 9º ano, a fase em que eu tava começando a me descobrir, houve amigas héteros que se distanciaram, ou pais de amigas, que implicavam com a amizade. Já na Universidade não passei por nada disso, nenhum tipo. Todos sabem da minha sexualidade, é tranquilo. Outro mundo, né?”, afirma a estudante.
Assim como Rafaela, o estudante de Jornalismo, João Júnior revela que não houve momento algum que ele tenha considerado como preconceito. “No ensino fundamental/médio a coisa era tranquila, não era questão de preconceito. Mas aquelas brincadeiras que sempre acontecem entre crianças, ao meu ver nunca sofri preconceito ou bullying no ambiente escolar".
Em Sergipe, quando ocorrem esses casos a Polícia Civil orienta que a vítima procure o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), localizado na Rua Itabaiana, n°158 na capital, ou em algumas unidades pelo Estado:
Delegacia Especial de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DEAGV)
Rua Cachoeira, 1115 - bairro Santa Cruz, Estância/SE
(79) 3522-8777
Delegacia Especial de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DEAGV)
Avenida Ivo de Carvalho, 450 - bairro Centro, Itabaiana/SE
(79) 3431-8513
Delegacia Especial de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DEAGV)
Praça Rui Mendes,S/N - bairro Centro, Lagarto/SE
(79) 3631-2114
Delegacia Especial de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DEAGV)
Rua 15, S/N - conjunto Fernando Collor, Nossa Senhora do Socorro/SE
(79) 3256-4001
Foto: reprodução internet

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