Especialista esclarece danos gerados pela violência contra mulher
Cotidiano 14/03/2017 15h05A violência de gênero é um dos graves problemas sociais enfrentados no cotidiano de populações dos mais diversos países e culturas. Um dos resultados do machismo e misoginia, a violência vem ganhando proporções imensuráveis e pode ser produzida no âmbito simbólico, emocional, psicológico e físico.
O Brasil continua no ranking dos países que mais praticam violência contra a mulher, ocupando o 5º lugar, segundo os dados da ONU. Sergipe não fica atrás, e está em 6º lugar entre os estados mais violentos contra a mulher e o 2º na região nordeste, segundo dados do Mapa da Violência 2016. Sarah Lopes, psicóloga do Hapvida, esclarece sobre as consequências para as mulheres.
“Toda e qualquer violência é danosa, mas a violência psicológica e emocional podem ter consequências ainda mais graves e limitantes para as mulheres, isto porque é uma violência silenciosa, onde só é possível perceber seus danos a longo prazo, dificultando ainda mais os possíveis reparos”, aponta.
As pesquisas presentes no Mapa da Violência contra a Mulher apontam que a maioria das mulheres sofrem violência doméstica, ou seja, praticada por parentes ou conjugues.
“O agressor é geralmente um sujeito covarde, que se apega a fragilidade emocional, sabendo que fisicamente e emocionalmente pode dominá-la. Por estes motivos que geralmente são pessoas da família. Frequentemente, estes agressores percebem alguma dependência nas mulheres, seja ela financeira ou até mesmo emocional, percebendo que este pode vir a agredi-la sem que sofra maiores consequências por conta de sua relação de dominação. Neste caso, estamos falando de agressores”, esclarece a especialista.
A psicóloga diferencia os tipos de agressores. Existem aqueles que já são reincidentes e não se arrependem, e os que cometem a violência e se arrependem. “Existem situações esporádicas, onde eventualmente numa briga pode se exceder e ocasionar uma agressão, não justificando o ato em si, cabível de denúncia também, porém, neste caso, cabe arrependimento sim, levando em consideração o descontrole do momento, sendo este ainda responsável pelos seus atos”, complementa.
É importante o trabalho de ressocialização do agressor, uma vez que o indivíduo vai retornar à sociedade. Alguns estados já dispõe desse serviço como São Paulo, Espírito Santo e outros.
“Inicialmente é feita uma avaliação com o agressor com a finalidade de perceber quais os motivos que levam este sujeito a manter este padrão de comportamento. Após esta avaliação, o agressor é mobilizado a perceber as consequências de seus atos, bem como o que está por trás da violência contra a mulher. Cada ato deve ser analisado separadamente com a mesma finalidade, a de proporcionar ao agressor um maior controle de seus atos através de sua auto-análise", explica a psicóloga.
A vítima de violência doméstica apresenta alguns traços de comportamento como a reclusão, ficam isoladas socialmente, apresentam comportamento diferenciado na frente do agressor, demonstram tristeza ou comportamento depressivo, evitam convívio com familiares, começam a falar menos sobre sua vida cotidiana, sobre seu relacionamento, podem ser mais ausentes no trabalho ou estarem desmotivadas de forma geral. A família e os vizinhos podem ajudar a vítima apoiando-a a denunciar ou denunciando o agressor.
“De acordo com a Lei Maria da Penha, qualquer pessoa que saiba ou desconfie de que uma mulher está sendo agredida pode ser o denunciante. Facilitando muito a erradicação da violência, levando-se em consideração que o agredido, muitas vezes está sendo coagido pelo agressor. A família deve, sem dúvida, apoiar o agredido sempre que necessário, deixar claro que seus medos são infundados, quando o forem. A maioria dos agredidos sentem-se sozinhos e sem o apoio de alguém que represente segurança em sua vida, ou até mesmo uma crença machista de que é necessário suportar este tipo de agressão, que é merecedora deste comportamento”, elucida.
É fundamental que as vítimas procurem tratamento para a superação desse trauma. Nesse caso, a vítima deve procurar a assistência social, ou até mesmo a delegacia de vulneráveis ou uma delegacia especializada como a delegacia da mulher.
Fonte: Assessoria de Comunicação

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
