Erros de projeção e execução causaram desabamento na Coroa do Meio
Conclusão foi apontada em laudo pericial do CREA/SE
Cotidiano 19/12/2014 17h00

Por Will Rodrigues e Fernanda Araujo

O laudo pericial sobre as causas do desabamento de um prédio em construção, no bairro Coroa do Meio, zona sul de Aracaju (SE), em julho passado, apontou que erros de projeção e execução da obra provocaram a tragédia. De acordo com a comissão de engenheiros que analisou o projeto, houve uma discordância entre aquilo que foi projetado e o modo com a edificação estava sendo feita. O projeto inicial previa a construção de três pavimentos e um andar a mais foi colocado.

O rompimento de um dos principais pilares de sustentação provocou a queda. “Esse pilar se rompeu de forma abrupta e caiu na vertical, depois de dar um certo giro para o sudoeste. Assim, a carga foi distribuída para os outros pilares, que já não estavam em condições de suportar a própria carga”, explica o engenheiro civil Emerson Meireles, coordenador da comissão de peritos do Crea/SE.

O projeto estrutural e a fundação foram analisada. De acordo com o engenheiro, o plano arquitetônico possuía a licença da Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emurb), mas ele não vinha sendo seguido. “Ele foi projetado com laje maciças de concreto armado e foi utilizada laje pré-moldada com elementos de  preenchimento de lajota cerâmica e isopor. A posição do reservatório foi modificada três vezes. Havia excesso do revestimento. O concreto não foi produzido como deveria, pois a resistência que deveria ter sido atingida especificada pelo projetista não foi conseguida”, detalha Meireles.

Nesta sexta-feira (19), completam-se cinco meses desde que o acidente aconteceu e no entendimento dos peritos, “talvez o projeto não tenha sido adequado aquele terreno, pois não foi feita a sondagem da área para observar o que havia embaixo da terra”.

O presidente do Crea/SE, Jorge Roberto Silveira, reconhece que o acidente serviu de alerta para que medidas sejam tomadas a fim de evitar outras situações semelhantes. “O laudo recomenda que nosso sistema precisa se preparar melhor e para isso já estamos desenvolvendo um novo modelo de diário de obra online onde as atividades realizadas nos canteiros serão descritas e nós vamos aperfeiçoar nosso acompanhamento”, conclui. 

Agora o relatório final da perícia técnica será encaminhada ao delegado Valter Simas, responsável pelo inquérito policial que investiga o acidente e também ao Ministério Público Estadual. 

O desabamento  vitimou um casal e seus dois filhos. Os profissionais do Corpo de Bombeiros trabalharam por 34 horas ininterruptas e conseguiram salvar três das quatro vítimas. O pai, um dos soterrados, era servente de pedreiro da obra e estava, há alguns dias, se abrigando junto com a família na construção, por falta de moradia. O ato heroico dos bombeiros sergipanos ganhou repercussão na imprensa nacional e a corporação de Sergipe foi parabenizada até mesmo pela presidente Dilma Rousseff.

Foto: Divulgação CREA/SE

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