Enfermeiros de Aracaju paralisam por 24h e reivindicam melhorias
Cotidiano 14/10/2014 12h31

Por Fernanda Araujo

Enfermeiros de Aracaju disponibilizaram na manhã desta terça-feira (14) alguns serviços de saúde na praça Fausto Cardoso, Centro. Foi oferecido gratuitamente aferição de pressão arterial e de glicemia para os que passavam pelo local. Mais de 100 pessoas no início da manhã foram atendidas pelos profissionais, que ficarão paralisados por 24 horas. A ação teve o objetivo de disponibilizar o serviço e dialogar com a população sobre os motivos da paralisação temporária. 

Atualmente são em torno de 400 profissionais divididos nas 40 unidades de saúde do Município. O objetivo da paralisação é uma forma de advertência, mas há indicativo de greve caso a Prefeitura de Aracaju não atenda a pauta de reivindicaçõe

s. Eles irão se reunir em assembleia próximo dia 16. “Estamos aqui como uma forma de mostrar à sociedade que nós não estamos apenas paralisando por questões remuneratórias. Também estamos tentando melhorar as condições para que possamos prestar uma assistência de qualidade para essa população. Esse era o primeiro passo que precisava ser dado”, afirma a presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe, Shirley Morales (abaixo).

Em reunião contem (13) com o secretário municipal de Saúde, Luciano Paz, de acordo com ela não houve avanço. Foi decidido apenas que começaria uma série de discussões e na próxima semana uma nova reunião será marcada.

Reivindicações

Entre as reivindicações está a criação de gratificação de desempenho, utilizada no serviço público e particular c

omo forma de incentivo ao trabalhador, sendo que algumas categorias da saúde  já recebem; correção no pagamento de horas trabalhadas dos profissionais que trabalham na urgência e retorno da porcentagem de interníveis, que era de 5% e passou para 4%. “Hoje os enfermeiros que trabalham na urgência são os que menos recebem dentro do quadro e da própria categoria, os de atenção básica e ambulatório tem hora trabalhada com valor maior. Deve haver isonomia de tratamento dentro da própria categoria”, afirma Morales.

Além disso, cobram seguranças nas unidades, abastecimento e condição salutar de trabalho. A enfermeira afirma que na Atenção Básica há falta de materiais básicos como pinça e tesoura, outros inclusive que se não utilizados podem por em risco a vida do paciente. A estrutura de alguns consultórios também é precária de acordo com ela, há vazamentos, mofos e teto prestes a cair, mesmo os que passaram por reforma recente. Shirley Morales argumenta que um relatório sobre a situação foi passada aos secretários de Saúde anteriores e ao atual, ao Ministério Públi

co, ao Conselho Municipal de Saúde e não houve resposta.

“No serviço de urgência a gente tem as unidades de estabilização, o paciente é estabilizado e sai da condição de risco para ser transferido às unidades hospitalares como o Hospital de Urgência. O Huse se recusa a receber outras unidades também, e fica nessa guerra. O paciente então fica na UPA que só tem duas saídas de oxigênio. Constantemente profissionais veem pacientes morrem por situações banais. A gente teve recentemente uma paciente que ficou na unidade de estabilização no Nestor Piva, por cerca de quase 20 dias, ela foi tendo anemia severa ao ponto que precisava de transfusão. UPA não faz porque tem que ter observação hospitalar. E não tinha, ou seja, a paciente veio a óbito. Diz que está criando sistema para gerenciar os materiais e insumos, mas até lá, o que vamos fazer? Precisa de solução imediata, para depois permanente. Nas unidades de urgência qualquer um pode entrar, visitas na madrugada. Não existe nenhum serviço de triagem para barrar e ter acesso restrito”, critica.

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