Em greve, médicos de Aracaju dizem que Edvaldo falta com a verdade
Prefeito reconhece direito à greve, mas afirma que não vai mudar proposta
Cotidiano 25/01/2017 13h01 - Atualizado em 25/01/2017 14h15

Por Fernanda Araujo

Os médicos da rede municipal de Aracaju, que retomaram a greve no último sábado (21), realizaram um ato público nesta quarta-feira (25), no calçadão da João Pessoa, Centro, para explicar à população o motivo de mais uma paralisação que já afeta as unidades de saúde da capital.

Contra a medida da prefeitura em parcelar o salário de dezembro da categoria ou de que os servidores terão que fazer empréstimo pessoal para receber o pagamento, o presidente do sindicato (Sindimed), João Augusto, afirma que o prefeito Edvaldo Nogueira falta com a verdade.

“O prefeito está indo à imprensa dizendo que a prefeitura vai fazer a operação bancária; é o servidor. Empréstimo já era uma coisa que o servidor vinha fazendo. Todo mês atrasava e o servidor que podia fazia empréstimo, que se não pagasse tinha multa e juros. Empréstimo é inaceitável porque quem responderá por isso é o servidor, não é a prefeitura”, reclama o médico.

A prefeitura propõe que, para receber o valor total do salário de dezembro, o servidor pegue empréstimo pessoal a partir de fevereiro na Caixa Econômica; o empréstimo será cobrado pelo banco em 12 parcelas, até fevereiro de 2018, que deverão ser debitadas pela prefeitura ao servidor. Mas, segundo João Augusto, não há garantias de que a prefeitura pague as parcelas.

Se for para fazer empréstimo, os médicos cobram que o prefeito garanta o pagamento em dia até março de 2018; apesar de Edvaldo ter dito que só garante o salário de janeiro e fevereiro, segundo Augusto.

“Por um acaso o banco vai deixar de cobrar? Este período de greve, tanto na gestão de João Alves como nesse momento, é a mais justa. Só estamos exigindo nosso salário”, diz.

Segundo o Sindimed, a informação é de que o servidor que não recebe pela Caixa não poderá pegar empréstimo; terá que receber em 12 parcelas, a partir de 31 de março. “O salário de dezembro iria atrasar quase 90 dias. Ele diz que vai pagar quatro salários em dois meses, não é verdade, vai pagar apenas janeiro e fevereiro. O de dezembro é o servidor que vai contrair empréstimo e o 13º conseguimos com o bloqueio de contas. O pior, ele diz que vai pagar em dia, até 5º dia útil, 7 de fevereiro; em dia é até 31 de janeiro”, afirma João.

O Sindimed protocolou em 2 de janeiro no Tribunal de Contas mais um pedido de bloqueio das contas da prefeitura para o pagamento de dezembro; e oficiou o Ministério Público. Os médicos esperam o bloqueio até que a prefeitura lance um novo calendário de pagamento e que o TCE não valide a medida da prefeitura.

Edvaldo

Em resposta à greve, durante coletiva, Edvaldo Nogueira afirmou que é um direito dos médicos, mas a proposta continua valendo. “O servidor poderá e vai conseguir por empréstimo o dinheiro todo, a divisão é para a prefeitura pagar em 12 vezes; o servidor que não quiser pagamos em 12 vezes. 99% dos servidores, como fez no governo do Estado, vão receber o salário todo no dia do empréstimo. O servidor vai ao banco, pega empréstimo e recebe na hora o valor do salário. O empréstimo será parcelado e a prefeitura vai pagar em 12 meses, sem os juros que o banco cobra; a prefeitura vai mandar uma Lei para a Câmara dando um abono ao servidor”, resume o prefeito. 

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