Em greve, médicos criticam o silêncio da Prefeitura de Aracaju
Cotidiano 30/05/2016 15h45Por Fernanda Araujo e Will Rodrigues
Depois de 15 dias em greve e sem receber uma resposta da Prefeitura de Aracaju, os médicos da rede pública da capital lamentam a situação que tem provocado desassistência à população. O Sindimed culpa o prefeito João Alves Filho (DEM) em ter provocado a paralisação por, até agora, não ter se manifestado sobre o pagamento do salário da categoria com reajuste previsto para terça-feira (31).
O Sindimed lembra que a data base foi alterada pela prefeitura de janeiro para maio e o pagamento do reajuste na folha é feito entre os dias 20 e 22 do mês. Em ato no calçadão da Rua João Pessoa, Centro, os médicos afirmaram que, conforme seus secretários, o prefeito tem a proposta da categoria e as contas para averiguar a viabilidade do pagamento do reajuste no Piso Salarial, desde o início deste mês. Os profissionais querem a tabela única e o pagamento do piso da Federação Nacional dos Médicos, que atualmente é de R$ 12.993 por 20 horas, enquanto o piso em vigor na rede municipal é de cerca de R$ 7 mil.
“O pagamento é para ser amanhã, já não teremos o pagamento com reajuste, ou seja, ele já não vai pagar o salário correto em dia, então isso aumenta a indignação, principalmente pelo silêncio. O secretário de comunicação, Carlos Batalha, foi para a mídia há duas semanas falar que o prefeito ia convidar o sindicato para uma reunião a fim de chegar a um acordo bom para as duas partes. Fizemos atividades todos os dias de greve, mostrando que queremos negociar com o governo, só que infelizmente o prefeito não se posicionou”, critica João Augusto, presidente do Sindimed.A expectativa dos médicos é amanhã, quando o prefeito deve apresentar a programação do Forró Caju, às 15h30. A categoria deve decidir o rumo da mobilização no mesmo dia à noite. “Eu não acredito que ele (João Alves) vai ter a coragem de anunciar o Forró Caju e não pagar os servidores (não só os médicos). É muita audácia e seria muita falta de respeito. Se ele não se pronunciar e não pagar é sinal que acabou a gestão da prefeitura, pelo menos, na área da Saúde, pois vai influenciar toda a assistência à população”, adverte o médico.
O futuro, para a categoria, ainda é incerto. “Não sabemos dos desdobramentos que podem acontecer no mês de junho. O pagamento da folha é feito dia 20 e 22, agora vai ser só em 2017. A gente respeitou todos os prazos legais, nosso movimento é legítimo, a gente cobra esse posicionamento. Se tivesse impacto na folha deveriam ter dito ‘não temos condições’”, aponta.
Segundo o sindicato, nas unidades de saúde, em torno de 400 médicos, de um total de 500, aderiram à greve. Nos cinco dias da semana cada médico atende apenas a 10 pacientes em média, causando um déficit diário de 4 mil consultas (em dia útil). Já são 20 mil atendimentos a menos. Na Urgência, que tem em torno de 60 atendimentos/dia, reduziram o fluxo pela metade. Os profissionais chegaram a suspender a greve, a pedido do governo, que solicitou prazo para se pronunciar. “Infelizmente, o prefeito foi o responsável por ter iniciado a greve e agora está com a responsabilidade também de acabar com ela”.
Saúde
F5 News entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde, a qual afirmou que ainda não há resposta sobre o reajuste que estava sendo negociado pela administração. Já a assessoria da Secretaria de Planejamento (Seplog) deve se pronunciar sobre o assunto ainda hoje à tarde.
Fotos: Will Rodrigues
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