Em greve há 100 dias, servidores da UFS bloqueiam avenida como protesto
Cotidiano 04/09/2015 08h47Da Redação
Há mais de três meses, os universitários que estudam na Universidade Federal de Sergipe (UFS) estão sem aulas. A greve dos servidores técnico-administrativo completa 100 dias, nesta sexta-feira (4). Para marcar a data, não bastando os prejuízos aos alunos, os condutores que passaram pela Avenida Marechal Rondon, em São Cristóvão, na manhã desta sexta, também ficaram prejudicados. Os grevistas bloquearam um dos lados da via (sentido Aracaju) e o trânsito ficou caótico.
Revoltados, alguns motoristas subiram no canteiro central e invadiram a contra-mão para furar o bloqueio e seguir viagem. A Polícia Militar foi acionada e negociou a liberação da pista. Segundo o sindicato da categoria, ficou acordado que os manifestantes fariam bloqueios alternados.
“Essa não é uma marca para ser comemorada, mas estamos pressionando o Governo Federal já que se diz a Pátria Educadora. Queremos também chamar a atenção da sociedade”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de Sergipe (Sintufs), Lucas Gama, em entrevista a Ilha FM.
Com a paralisação, o ritmo de atendimento aos docentes e estudantes foi reduzido, comprometendo o funcionamento de alguns serviços nas instituições federais. De acordo com a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), servidores de 63 instituições públicas aderiram à paralisação.
Segundo a Fasubra, a greve deste ano é uma continuidade das reivindicações dos trabalhadores em 2014, quando a paralisação dos servidores foi suspensa pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou que o governo deveria negociar com os trabalhadores até o dia 30 de junho daquele ano. “O governo descumpriu o prazo e não negociou. Foi isso que nos remeteu à greve deste ano”, afirmou coordenador-geral da Fasubra, Rogério Marzola.
A principal demanda da categoria é a reposição das perdas salariais dos últimos anos. “Para recuperarmos o poder de compra de 2010, é preciso repor 27,3% nos salários”, disse Marzola. Segundo ele, foi oferecida verbalmente à categoria 21,3% de reajuste em quatro anos. “A oferta pode ser parecida, mas os 27% que pedimos é apenas para recuperar as perdas. O governo propõe 21% em quatro anos. Então, após esse período a perda será maior que já é hoje, pois a inflação prevista para os próximos quatro anos é superior aos 21%.”
A Federação informou que o governo ainda não apresentou uma proposta oficial para acabar com a greve. “Até agora, tivemos muitas conversas com os ministérios da Educação e do Planejamento, mas não recebemos nenhum documento formal. Eles ficaram de encaminhar dia 14 de agosto, prorrogaram para o dia 17, depois 24, depois 31, dia em que fechava a lei orçamentária, mas até agora não recebemos nada”, acrescentou informou o coordenador-geral da Fasubra.
Em nota publicada no dia 21 de agosto, o Ministério da Educação se disse preocupado com a greve, em especial com os alunos sem aulas nas 30 universidades em que os docentes também pararam. O MEC também informou que sempre se colocou à disposição para dialogar com as entidades e instituições federais. “O esforço do governo federal tem sido incansável para garantir o diálogo contínuo e a solução para a greve. O MEC e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão têm trabalhado em conjunto para reestabelecer a atividade acadêmica.”
Segundo a nota, de fevereiro de 2014 a agosto de 2015 representantes do ministério se reuniram com a entidade 23 vezes para tratar da agenda de reivindicações. Uma nova reunião está marcada para hoje (4).
Além de salário, os grevistas também pedem ajuste nas carreiras, como mudanças na carga horária e maior participação nas decisões das universidades. Outra demanda é por mais recursos para as universidades. De acordo com a Fusabra, várias instituições passam por dificuldades sérias em decorrência de cortes orçamentários que levaram ao contingenciamento de verbas de custeio.
*Com informações da Agência Brasil

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