Em Aracaju, transporte coletivo é sinônimo de medo e insegurança
A média é de cinco assaltos por dia
Cotidiano 27/05/2016 15h30

Por Aline Aragão e Geovane Mangueira

Ser assaltado em um ônibus do transporte coletivo em Aracaju (SE) virou algo corriqueiro, a novidade é encontrar, na ex-capital da qualidade de vida, uma pessoa que depende do transporte público e que não tenha sido vítima ou presenciado cenas de violência dentro de ônibus ou terminais. O clima é de total insegurança.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Sergipe (Sinttra/SE), de janeiro a abril deste ano já ocorreram 628 assaltos a ônibus em Aracaju e região metropolitana. No mesmo período no ano passado ocorreram 375.

Ousadia

Um assalto ocorrido no último dia 21, em um ônibus que faz a linha Santa Maria - Zona Sul, chamou atenção pela ousadia dos bandidos, que chegaram a cavalo. Motorista e cobrador foram surpreendidos quando desceram do veículo no final de linha. Os assaltantes levaram toda renda do ônibus, em seguida fugiram a galope.

Confira abaixo relatos de pessoas que foram vitimas de assaltos em ônibus do transporte coletivo de Aracaju

A estudante de jornalismo Caroline Matias, 20 anos, foi vítima e sabe bem como é conviver diariamente com o medo. Em seu relato, ela diz que estava em um ônibus quando três jovens embarcaram no terminal do Distrito Industrial de Aracaju (DIA) e, ao se aproximarem do bairro São Conrado, anunciaram o assalto. Eles estavam armados com facas, levaram a renda do veículo e pertences dos passageiros. “Fomos à delegacia especial para assaltos a ônibus no conjunto Augusto Franco e prestamos B.O sobre o ocorrido, porém nada foi feito”, reclama.

“A população vive com medo e assustada, os assaltos são frequentes e cada dia mais violentos, o medo acaba não sendo só de perder um bem, mas também a vida, já que se seu celular não atender as expectativas do ladrão ele pode te matar por ficar com raiva”, desabafa Caroline.

Para a estudante, é preciso mudar as leis e as estratégias de policiamento. “O contingente de policiais e o plano não tem sido suficiente e as leis facilitam soltando os suspeitos um dia após ou até no mesmo dia do ocorrido”, lamentou.

Para o estudante Rafael Alcântara, 20 anos, que foi assaltado duas vezes e conseguiu escapar de um terceiro assalto pulando a catraca, a solução seria intensificar as abordagens. “Como não tem diariamente eles se sentem livres pra fazerem o que querem. Com blitz pelo menos três vezes na semana onde ocorre a maioria dos assaltos, iria ajudar muito e iríamos nos sentir mais seguros”, disse.

Depois de sofrer dois assaltos e uma tentativa, a estudante Gesla Santos, 19 anos, ficou traumatizada e precisa fazer acompanhamento psicológico. Hoje ela não anda de ônibus e diz que teve que mudar para sobreviver. “Até hoje sofro, não saio de ônibus, nem à noite, nem sozinha. Tinha crises de choro, insegurança obviamente, por não ter mais a liberdade de sair na rua, estou fazendo um acompanhamento psicológico, e fui duas vezes ao psiquiatra, por ficar noites sem dormir pensando como eu faria pra trabalhar no outro dia. Só de pensar em sair dê ônibus sinto vontade de chorar, então desisto de sair” .

Ela também cobra leis mais rígidas: “Os marginais sabem que se forem presos hoje, com um ou dois dias eles estão na rua fazendo tudo de novo. Acho que falta rigidez, falta uma palavra de certeza”.

A estudante Ana Paula Vieira conta que estava com um amigo dentro de um ônibus quando foi abordada por três marginais. “Eles levaram celular, corrente, relógio e desceram correndo. Na frente do ônibus vinha uma viatura, a gente parou e falou o que aconteceu. Mas os policiais não fizeram nada".

“Eu acho que blitz não adianta, pois os malandros têm seus contatos para saberem onde tem e onde não tem. O bom seria que em cada ônibus tivesse um policial ou dois. Com certeza os assaltos diminuiriam muito. E as pessoas não iriam andar com tanto medo”.

 

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