Em 2014, foram registradas 19 explosões de caixas eletrônicos em SE
Mais de 30 pessoas foram presas acusadas de participação nos crimes
Cotidiano 28/12/2014 07h00

Na calada da noite bandidos armados invadem uma agência bancária de uma pequena ou média cidade do interior, colocam bananas de dinamites estrategicamente posicionadas e destroem caixas eletrônicos - e até mesmo parte da agência bancária. A cena resumida descreve bem a tática adotada por criminosos em todo o Brasil para roubar dinheiro de bancos públicos e privados. Em Sergipe, os criminosos explodiram, só no ano de 2014, 19 caixas eletrônicos em Aracaju e em mais 16 cidades do interior.

Por uma questão legal, a Polícia Civil assumiu a investigação de 17 casos, ficando a Polícia Federal com a investigação das explosões ocorridas contra os cashs eletrônicos da Caixa Econômica Federal do município de Maruim e do Mosqueiro, na zona de Expansão de Aracaju. De acordo com o diretor do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), delegado Jonathas Evangelista, a modalidade criminosa ganhou força nos últimos três anos em todo o país, mas foi no Nordeste que este tipo de crime se proliferou.

Dados produzidos pelo próprio Cope revelam que 88,3% das quadrilhas que agiram em terras sergipanas, de janeiro até hoje, foram desmanteladas. Isso significa que das 17 ações criminosas contra o setor bancário investigados pela Polícia Civil, 15 já tem autoria e materialidade definidas e seus autores já estão presos. Foi assim que mais de 30 criminosos que agiram em Sergipe foram presos aqui e em Alagoas e Bahia ao longo deste ano.

Além da prisão dos suspeitos, a polícia também quebrou os braços financeiros da maioria das quadrilhas, ao apreender 139 armas de fogo, entre revólveres, pistolas e armas longas, dinheiro, veículos e 311,8 quilos de drogas. “As apreensões de drogas comprovam que alguns desses criminosos também movimentavam o tráfico de entorpecentes. Foram 20,7 quilos de crack, 24,7 quilos de cocaína e 266,4 quilos de maconha”, explicou.

A forte presença policial pode ter inibido a atuação de mais quadrilhas no estado. Comparado os dados registrados pelo Cope em 2013, percebe-se uma redução no número de explosões em 2014. Foram 22 explosões no passado ante a 19 registradas este ano.

Para o delegado Jonathas Evangelista (foto ao lado), o diferencial do Estado para combater este tipo de crime é a geografia de Sergipe, um serviço de inteligência altamente especializado e uma integração com as demais forças de segurança. Com um mapa do estado logo atrás de sua mesa de trabalho, Evangelista marca com um ponto azul cada ação criminosa ocorrida em 2014.

Neste controle, ele aponta que a única cidade a sofrer dois ataques dos criminosos foi Poço Redondo, sendo o primeiro dia 24 de maio e o segundo dia 7 de junho. As demais cidades foram registrados uma ação criminosa: Moita Bonita, Siriri, Capela, Umbaúba, São Francisco, Ribeirópolis, Aquidabã, Carira, Japaratuba, Malhada dos Bois, Nossa Senhora de Lourdes, Cristinápolis, Riachuelo, São Cristóvão, Maruim e Aracaju.

Também foram registradas pelas estatísticas do Cope, três tentativas de explosões nas cidades de São Cristóvão e Areia Branca ambas no dia 23 de outubro e a mais recente aconteceu no dia 22 de dezembro na sede do município de Nossa Senhora do Socorro.

O perfil do criminoso que agia em Sergipe era de um bandido comum que seguia as ordens de um cabeça ou de empresário do crime: Antônio Clívio Lima de Santana, vulgo “Bracinho”. De acordo com as investigações da polícia, Clívio contratava pessoas para roubarem os bancos por valores que variavam de acordo com o tipo de serviço.

A Clívio cabia o papel de recrutar, organizar a logística, as rotas de fuga após os assaltos e também servia de motorista dos comparsas quando necessário. O Cope apresentou Clívio à imprensa no mês de setembro por seu envolvimento na explosão de cashs em Japaratuba, Ribeirópolis, Aquidabã, Siriri e por ter fornecido detonadores para as explosões ao banco de Nossa Senhora de Lourdes.

Apesar de preso, Clívio não se intimidou e passou a planejar novas ações ainda na prisão. Após contratar oito colegas de cela, ele conseguiu fugir no dia 11 de novembro e começou a penejar novos crimes. O Cope o flagrou novamente em outra ação ainda mais audaciosa em Arapiraca, Alagoas. Em um sítio de sua propriedade, a polícia precisou de uma retroescavadeira para encontrar 150 quilos de explosivos, uma metralhadora calibre 9 milímetros, uma pistola calibre 765, máscaras e munições de fuzil e calibre 12.

A compra de explosivos industriais no Brasil é regulada pelo Exército Brasileiro, mas em Sergipe, graças ao Decreto 3.665 e a portarias do próprio Exército, o Departamento de Fiscalização de Armas e Explosivos (Dfae) da Secretaria de Segurança Pública funciona como uma espécie de força auxiliar para fiscalizar as empresas que trabalham com este tipo de material.

Segundo o diretor do Dfae, Anderson Couto, 15 empresas trabalham com explosivos em Sergipe. Pelo levantamento, essas indústrias estão nos setores de prospecção geosísmica, mineração e poços de petróleo. “Ao adquirir as dinamites, com autorização do Exército, essas empresas precisam manter o material em local seguro sob vigilância humana e eletrônica. Esse, aliás, é um dos trabalhos que são feitos pelo Dfae cuja missão é controlar o armazenamento, uso e movimentação desse tipo de material”, explicou.

No entanto, ele reconhece que organizações criminosas têm investido fortemente contra essas empresas e que o número de roubos e furtos tem aumentado no Brasil. Couto destacou que somente em 2014, a Bahia registrou cerca de 500 roubos, 300 na Paraíba e 14 aqui em Sergipe. “A unidade que investiga esse tipo de crime no Estado é o Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope)”, destacou.

Fonte: SSP

Fotos: Arquivo F5 News

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