Dor e protesto marcam enterro de cobrador morto em assalto a ônibus
Cotidiano 14/07/2016 18h15

Da Redação

Foi sepultado no final da tarde desta quinta-feira (14), sob um sentimento de revolta e um protesto silencioso, o corpo do cobrador David Jonathan Barbosa, 26 anos, assassinado durante um assalto a um ônibus do transporte coletivo na zona Oeste de Aracaju, nessa quarta-feira (13). O enterro ocorreu no cemitério da Cruz Vermelha, no centro da capital. O cortejo fúnebre literalmente parou o centro comercial, que consternado acompanhou os colegas de profissão do rodoviário.

No rosto dos companheiros de David reinava o sentimento de indignação por considerar que essa foi uma tragédia anunciada, já que a categoria convive com uma média de seis assaltos por dia. “O nosso colega saiu para trabalhar e não volta mais para casa. Quantos trabalhadores, pais de família, vão precisar morrer para que seja feito alguma coisa para nos ajudar?”, indaga o rodoviário Carlos Tamarino.

Para a família, restou a sensação de impotência. “Infelizmente a insegurança fez mais uma vítima. Ele já tinha comentado sobre a violência, mas tinha que trabalhar para colocar o pão de cada dia na mesa”, diz o irmão do cobrador, Eduardo Barbosa, lembrando que David trabalhava no sistema há pouco mais de dois meses, e deixa esposa e um filho de três anos de idade.

Frágil

O assalto que terminou com a morte de David expõe a fragilidade do sistema de transporte que, apesar das ações da Polícia e das empresas para reforçar a segurança, ainda é um alvo fácil para os marginais, quase sempre menores de idade. O adolescente de 17 anos, acusado de atirar contra o cobrador, por exemplo, é suspeito de praticar pelo menos outros sete assaltos em coletivos nos últimos três meses, segundo a Polícia.

A categoria prometeu normalizar os serviços na região metropolitana após o enterro de David, mas não descarta a possibilidade de deflagrar novas paralisações para cobrar um basta na escalada da violência.

Nesta quinta-feira, a cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP/SE) se reuniu com representantes do setor para traçar novas estratégias de repressão às ações criminosas. Enquanto isso, nas ruas, o clamor da população é por paz. “O nosso direito de ir e vir está sendo violado porque a gente se priva de sair de casa com medo por saber que pode ser a próxima vítima”, lamenta a auxiliar de enfermagem Gabriela Soares.

Foto 1: Ricardo Pinho

Foto 2: Leonardo Barreto 

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