Dia internacional: Mulheres de emergência
Cotidiano 09/03/2015 08h59

No dia internacional da mulher, as histórias de servidoras estaduais que atuam no Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar e Samu revelam o dinamismo e a coragem da mulher sergipana. Elas são exemplos de dedicação e superação. “O dia internacional da Mulher representa a luta diária de todas as mulheres pela construção de um mundo mais justo e digno. Essas mulheres se esforçam, seja em suas casas ou no ambiente de trabalho, para transformar suas rotinas em algo leve e afetuoso. Meu abraço e meu respeito a todas as brasileiras, sergipanas e servidoras estaduais neste dia”, declara Jackson Barreto.

Ser bem sucedida profissionalmente, formar e cuidar de uma família, manter-se atualizada, cuidar de si mesma e ter um pouco de lazer, que ninguém é de ferro. É querer muito? Pode até ser, mas nada que uma mulher não dê conta. Tudo bem, não é unanimidade, mas conciliar tantos desejos em apenas 24 horas é o objetivo e o desafio de muitas mulheres hoje em dia. E não duvide, pois uma característica feminina bem marcante é a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, e fazê-las bem.

Quer um exemplo? Há 13 anos no Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe, a Sargento Waléria Andrade é mãe de dois filhos, de sete e três anos, cursa medicina e ainda cuida do pai de 72 anos. Como ela consegue? “Dormindo muito pouco, me cobrando muito, mas todas as atribuições são bastante gratificantes. Tenho muito orgulho e gosto de ser bombeira. Filhos, quem os têm sabe que ser mãe é uma sensação indescritível, e a medicina é um sonho de criança, então é ajustar as três funções no meu dia a dia e a gente vai tentando conciliar”, conta. Quando a rotina aperta, a faculdade é a primeira a ser sacrificada. “Entre abrir mão de alguma coisa eu opto pela faculdade, porque eu posso adiar que as disciplinas vão estar lá me esperando. E o trabalho é de onde eu tiro o sustento dos meus filhos, eu sou separada então é dele que me mantenho”, relata, afirmando que a cobrança maior é dela própria.

“Já fui chamada a atenção por ter me atrasado por causa de um filho que demorou a se arrumar, ou acordei tarde devido ao cansaço, mas na conjuntura atual, a gente consegue contar com um pouco de compreensão, sim. Consegui perceber melhoras para a mulher em relação a tudo, mas, claro, a gente ainda tem que mostrar muito. Para ser competente, tem que ser meio ‘hominho’, começando pela nossa farda que é totalmente masculinizada”, brinca a sargento.

Companheira de farda, a Tenente Flávia Emanuela parece seguir a mesma cartilha. Casada, mãe de um bebê de um ano, ela cursa o 7º período da faculdade de arquitetura, que ela pretende conciliar. “É uma correria muito grande. Além do plantão de 24 horas, também trabalho no serviço burocrático, dou expediente todos os dias até as 13 horas. Tenho a tarde para ver meu filho e a noite para ir a universidade, então tenho que administrar muito bem essa jornada de trabalho: casa, faculdade, marido e filho. Mas a vida é isso e a gente tem que se adaptar a ela”, diz. Para ela, a mulher traz um diferencial para o Corpo de Bombeiros por fazer tudo o que o homem faz, mas com um detalhamento maior, com mais carinho e perfeccionismo. “Quando querem um trabalho mais perfeito, preferem a mulher ao homem. É bom ser visto por esse lado, apesar de ser uma cobrança maior”.

Rompendo barreiras

Batalhadoras e obstinadas, elas alcançam posições cada vez mais representativas nos postos de trabalho, mas foi preciso muita caminhada para chegar até aqui. Que o diga a Tenente Coronel Rita de Cássia Silvestre, chefe da 4ª seção da Polícia Militar de Sergipe, uma das cinco mulheres na mesma posição hierárquica da PM. Graduada ao cargo máximo da corporação, ela e as colegas na mesma situação aguardam apenas o surgimento de vagas para chegar ao topo da carreira. Mas quando entrou na PM, há 26 anos, a perspectiva era chegar, no máximo, ao posto de Capitão. A legislação da época limitava a ascensão profissional para as mulheres. Quando prestou concurso, havia uma vaga para oficial, a que ocupou, e duas para sargento. Hoje a PM conta com 5.200 policiais, 10% desse total é composto por mulheres.

“Ocupamos um espaço que era exclusivamente masculino. Através do concurso público, adentramos nos quartéis e em outras instituições, conseguimos ocupar espaços dentro da nossa formação. Existem vários cursos para galgar os postos e graduações dentro da instituição. Eu estou no penúltimo posto, já estou habilitada para Coronel. Passei por vários setores, companhias e batalhões. O mais relevante é ver a evolução que existiu dentro da PM. Nós lutamos com o comandante na época, Pedro Paulo, e conseguimos uma mudança na legislação para crescermos igualmente com os homens. Como somos formadas na mesma academia, não tinha o porquê ter essa discriminação. Foi um avanço”, comemora.

Com tanta determinação, sobrou espaço para o lazer? “Tem que ter porque a vida militar é meio estressante, dependendo da atividade que você esteja no momento, mas a gente tem que conciliar, não deixar de ser mulher, de se arrumar, de ter sua atividade em casa como mulher, mãe e filha. Tem que administrar e ter sua parte também de recreação, até para renovar as baterias para o dia a dia semanal”, revela.

O preconceito ainda é presente em muitas áreas, mas superação seu nome é mulher. E no Corpo de Bombeiros são três as que desafiaram as piadinhas de mau gosto e a discriminação para atuar como condutoras de viaturas. Uma delas é a aluna de sargento Ana Paula Ribeiro. Há sete anos na Corporação, hoje ela conduz viaturas de emergência, é respeitada no que faz, mas encontrou obstáculos no caminho. “No início, você escuta um monte de piadas em relação a mulher dirigindo, gente que não vai confiar, mas depois do curso e do serviço, a gente escuta agora o oposto, que muita gente te admira, que a gente tem mais cuidado, mais zelo, mais cautela na direção. A fase do receio já passou”, diz.

Em relação às peculiaridades da profissão, ela ressalta a grande responsabilidade. “Normalmente tem a pressão e a adrenalina, que vai a mil, mas na minha função a gente consegue controlar isso porque a nossa função é delicada, a gente tem que conduzir em qualquer horário e situação, de madrugada, levando a guarnição e a nossa atenção tem que ser redobrada. Tem que dirigir com consciência e com responsabilidade para não acontecer nenhum imprevisto”, comenta.

Sob pressão

Em pleno século 21, pelo menos nas funções que demandam atuação em equipe, onde um depende do outro, as “questões de gênero são secundárias”, acredita a enfermeira Aline Moura, socorrista do Serviço Móvel de Urgência (Samu), que há três anos e meio atua na assistência de intervenção. Trabalhar sob pressão é sua rotina, mas ela não cogita uma mudança profissional.

“É uma profissão que exige autocontrole, porque você está sempre no limítrofe da vida e da morte, na adrenalina. É uma profissão instigante, desafiadora e que eu amo porque a gente está salvando vidas, isso é maravilhoso. Atendo em urgências obstétricas, trauma e clínica, sempre tem uma pressão muito grande. Existe também a questão do tempo resposta, que a gente tem que prestar uma assistência rápida e com qualidade e garantir também o transporte seguro para o paciente ter a sequência da assistência no hospital”, conta a enfermeira, esbanjando coragem, mas sem deixar de ser feminina. “Geralmente o mais difícil para mim profissionalmente, embora não seja mãe, é sempre lidar com assistência à criança, principalmente em trauma, acidentes. É muito complicado lidar com estas situações. A sensibilidade feminina aflora, sem dúvida, mas amo o que eu faço, amo trabalhar no Samu”, completa.

Mas para a delegada Rosana Farias, que ainda bem jovem tornou-se delegada, coordenando uma equipe predominantemente masculina, foi preciso um período de adaptação. O concurso público era uma meta, mas o de delegado surgiu inicialmente como uma possibilidade. Ao ingressar na carreira ela se identificou tanto, que há oito anos essa foi sua escolha e hoje ela é uma das 46 mulheres entre os 114 delegados da Polícia Civil sergipana.

“Eu amo excessivamente o que faço. Toda carreira policial é cheia de desafios, nós lidamos com criminalidade, nada é comum, um dia nunca é igual ao outro. No começo, eu recordo bem, jovem, inexperiente profissionalmente, comandando uma equipe formada eminentemente por homens, foi difícil. Houve uma fase de adaptação, até para eles porque eram policiais na profissão há muito tempo e, de repente, seriam coordenados por uma delegada jovem. Isso hoje é algo muito superado, as mulheres têm conquistado esse espaço com delicadeza, como é do nosso perfil, e hoje as relação entre os profissionais é muito tranquila. Na verdade, nunca houve problema, havia dificuldades de ajustes”, conta a delegada, que é noiva e pretende ter filhos, já prevendo as dificuldades que terá para somar as rotinas.

“É uma dificuldade a mais, mas nós enfrentamos. Não é tão simples e na minha profissão é mais difícil ainda. Além da carga de 40 horas semanais, a gente ainda trabalha em regime extraordinário, eu dou sobreaviso durante três finais de semana por mês, pelo menos, então isso com certeza exige muita habilidade de nós mulheres para conciliar a vida pessoal com a profissional, mas é algo que, ao longo do tempo, temos conseguido fazer com habilidade.  Conseguimos manter as casas, os maridos, os filhos e a profissão e ainda estamos galgando espaços”, enumera a delegada.

Só de imaginar um acidente com um carro de passeio onde estavam onze pessoas, entre elas crianças, muita gente treme na base. Para atuar profissionalmente numa ocorrência dessas é preciso muito sangue frio, o que a soldado Claudia Cruz demonstra ter de sobra. “Morreram sete na hora e foi bem difícil atuar. Eu nunca cheguei a travar em ocorrência não, mas por ter crianças me causou uma sensibilidade maior, por você ver uma vida que acabou tão cedo. Eu até consigo manter a calma, mas às vezes a gente se sente pressionada, em determinadas situações, que você vai precisar ter um pouco mais de paciência porque vai demorar, mas consigo manter a calma”, conta. Para quem se identifica, ela dá a dica: “a pessoa tem que ter senso de responsabilidade porque vai lidar com vidas e não só de pessoas, mas de animais também, às vezes eu vejo pessoas que fazem distinção, o que não pode ocorrer de forma alguma, é sempre uma vida”, relata a soldado, que também é arquiteta e “solteira graças a Deus”. Ela entrou na carreira buscando independência financeira, a princípio, mas alguém duvida que ela esteja na profissão certa.

Fonte: Agência Sergipe de Notícias (ASN)

Foto: Marcelle Cristinne/ASN

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