Dia da Consciência Negra: Postagem da OAB/SE é criticada no facebook
Cotidiano 20/11/2014 14h35Da Redação
Uma postagem da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Sergipe (OAB/SE), em sua página oficial no facebook, sobre o Dia Da Consciência Negra gerou uma série de comentários e manifestações contrárias ao texto que trazia a seguinte mensagem: “A igualdade existe quando ninguém precisa discutir o que as pessoas são ou não, elas simplesmente são. Por isso, para comemorar este dia, vamos viver um mundo sem racismo, a começar pelo primeiro passo: não falar mais sobre isso.”
Após a postagem, vários internautas começaram a publicar comentários de repúdio à atitude da OAB/SE. Outros, compartilharam em sua timeline textos que rebatiam o posicionamento da instituição, como o jornalista Paulo Victor Melo, que fez as seguintes declarações em seu perfil: “Que vergonha, OAB Sergipe. O primeiro passo para superarmos o racismo é, justamente, falarmos sobre o racismo. E falarmos em todos os ambientes, públicos ou privados, com todas as pessoas. A história mostra, OAB Sergipe, que o racismo continua como uma das principais características da sociedade brasileira justamente porque a elite nunca permitiu que o tema fosse discutido profundamente.
No mais, OAB Sergipe, o Dia da Consciência Negra não é para “comemorar”, como está escrito em sua postagem. O Dia da Consciência Negra é para o povo negro mostrar que continua resistindo, que continua lutando, que continua na batalha cotidiana pela igualdade racial. O Dia da Consciência Negra, OAB Sergipe, é um momento para denúncia do mito da democracia racial que ainda reina em nosso país. O Dia da Consciência Negra, OAB Sergipe, é de enfrentamento a posturas como essa assumida por vocês.”
Diante da repercussão negativa, a OAB/SE excluiu a imagem e horas depois se manifestou por meio de uma nota de retratação:
“O presidente da OAB-SE, Carlos Augusto Monteiro Nascimento, vem a público apresentar retratação à postagem alusiva ao dia da Consciência Negra, feita através da página do Facebook da Instituição, que gerou manifestações contrárias de diversos internautas por afirmar que para viver num mundo sem racismo, o primeiro passo é não falar sobre ele.
Gostaríamos de reconhecer, perante todas e todos, o erro na escolha e elaboração da frase da nossa campanha sobre essa importante data e informar que estamos lançando uma nova campanha, intitulada “Dia da Consciência negra para a OAB-SE é momento de reconhecer os negros que construíram e constroem um Sergipe sem discriminação racial”, onde serão apresentadas as trajetórias de vida, resistência, luta pela cidadania e por direitos, de personalidades negras que marcaram e marcam a história passada e presente do nosso Estado, com o objetivo de mostrar que na luta contra o racismo a pior atitude é ser omisso ou querer esconder a questão sob o mito da democracia racial e da falácia igualdade formal de todos perante a lei, pois o que devemos fazer é mostrar que a sociedade brasileira ainda possui números inaceitáveis de desigualdade entre as raças e que precisamos de mais debate e mais políticas de enfrentamento ao racismo. Aproveitamos a oportunidade, ainda, para informar que esse equívoco não deve apagar o fato de que a Seccional Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil foi uma das primeiras no país a instituir uma Comissão especial sobre igualdade racial e combate à intolerância religiosa. O presidente Carlos Augusto Monteiro Nascimento assinou no dia 11 de novembro de 2011, a Portaria n.º 117/2011 que instaurou a Comissão de Igualdade Racial, presidida pelo advogado Ilzver de Matos Oliveira, doutor em Direito, professor universitário e militante do movimento negro sergipano - intencionalmente se instaurou a Comissão em 2011, porque ele foi considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional do Afrodescendente, e no mês de novembro, por ser o Mês da Consciência Negra. Desde então essa importantíssima Comissão tem sido a responsável dentro da OAB-SE por alguns desafios: acompanhar e fiscalizar as políticas públicas relacionadas à educação sobre aspectos raciais e étnicos; averiguar as situações de intolerância religiosa ou cultural; observar, da mesma forma, as políticas de saúde para os negros, indígenas, ciganos e outras etnias; as questões das terras das comunidades tradicionais – como as quilombolas e de terreiro; acompanhar e fiscalizar casos de violência e juventude negra; discriminação no mercado de trabalho, emprego e renda; e no acesso a justiça.Esperamos, após essa retratação, continuar a receber o apoio da sociedade sergipana na nossa luta diária pela cidadania e por direitos, o reconhecimento e a legitimidade que sempre nos foram concedidos por essa sociedade para ser um dos seus interlocutores, o que sempre consideramos como uma honra e a nossa principal missão.”, assina Carlos Augusto Monteiro Nascimento, presidente da OAB-SE.
Fotos: reprodução internet

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