Devido aos índices de violência, apenas Aracaju terá reforço da Força Nacional
Agentes atuarão principalmente na Zona Norte e bairro Santa Maria.
Cotidiano 14/11/2016 09h55 - Atualizado em 14/11/2016 14h16

Por Fernanda Araujo

Aracaju (SE) será uma das três capitais do país que receberão agentes da Força Nacional. De acordo com o projeto do Ministério da Justiça, a capital sergipana, Natal e Porto Alegre serão as primeiras que terão reforço policial. A previsão dada pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, é de que em dezembro os agentes da Força já comecem a atuar, porém ainda não têm  data definida e nem quantos deverão embarcar na capital para se integrar aos policiais sergipanos. 

O secretário de Segurança Pública de Sergipe (SSP), João Batista, avalia que a decisão partiu dos altos índices de violência nestas cidades e por questão operacional. O secretário relata que, devido aos maiores índices de violência se concentrarem em Aracaju, do estado apenas a capital receberá os agentes, principalmente na Zona Norte e no bairro Santa Maria. Mas as cidades do interior não devem ficar desamparadas.

“Se você coloca mais policiais em Aracaju, se consegue robustecer outras cidades, inclusive do interior, aquele policial que poderia utilizar na capital a gente pode remanejar. Então nós temos que trabalhar de forma matemática, é impossível colocar em todos os municípios a Força Nacional. Então temos que ser inteligentes e trabalhar em cima de números”, disse o secretário.

A Força Nacional será composta por policias da reserva, diferente de antes, em que era formada por policiais dos estados e acabavam dispersando todo o efetivo. Segundo o secretário, o comando das operações e a forma de trabalhar serão de responsabilidade da SSP.

“Além de ter um policiamento ordinário, que é do dia a dia, teremos um policiamento extraordinário. A quantidade aliada à inteligência e focando nas regiões mais violentas, a tendência é diminuir a criminalidade e aumentar a sensação de segurança da população”, acrescenta.

O MJ vai ainda definir um planejamento para determinar o número de agentes que virão à capital.

Ainda segundo Batista, também não foi fixada a data devido a dois problemas operacionais a serem resolvidos: a própria formação dessa nova Força Nacional, que deve passar de mil policiais para sete mil; e os recursos.

“O que posso dizer é que Sergipe está pronto para receber, já temos o diagnóstico das áreas, a organização e planejamento para a implementação do projeto. Espero que até sexta já tenhamos a data; não tendo a data, vamos a Brasília para reforçar e resolver logo a questão”, adianta.

Efetivo baixo e violência

A SSP/SE tem feito tratativas com o Ministério da Justiça para pedir auxílio na segurança pública do estado. De acordo com o secretário, desde que o ministro assumiu a pasta que o estado tem solicitado apoio e que Sergipe fosse incluído num plano de segurança.

“O maior problema hoje de combate  à violência é recursos humanos. Estamos com efetivo muito baixo. A ONU preconiza um policial para cada 250 habitantes, hoje Sergipe tem um policial para quase 500 habitantes. Teríamos que pelo menos ter o dobro do efetivo para estar numa situação confortável. Temos dificuldades de recrutamento por questões financeiras, o governo do Estado está fazendo um esforço muito grande para aumentar o efetivo, mas é complicado. Entendemos que na situação que está a violência em todo o país, nenhum estado da federação tem condições de ter um embate forte, sem ajuda e sem plano nacional de segurança”, acrescenta João Batista.

 

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