Crianças esperam por adoção em abrigos e casas lares de Aracaju (SE)
Cotidiano 25/05/2017 19h01 - Atualizado em 25/05/2017 19h21Os dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) apontam hoje, em todo o Brasil, a existência de cerca de 37,3 mil pessoas na lista de espera para adotar um dos 4,8 mil meninos e meninas que aguardam em unidades de acolhimento por uma família que os adote. Na teoria, para cada uma dessas crianças há oito famílias pretendentes. Em Sergipe, esse montante chega a 450 famílias para 25 crianças.
Trazendo para uma realidade mais próxima, chegamos a Aracaju. Mais precisamente em um cenário onde 68 meninos e meninas entre zero e 18 anos ainda se encontram nos abrigos e casas lares mantidos pelo poder municipal, estando dez deles aptos para a adoção. Na prática, a distância entre a quantidade de pessoas que desejam realizar uma adoção, o número de crianças em unidades de acolhimento e o quantitativo das que aguardam uma adoção não batem. Esse contraste ocorre não só pelo tempo dos processos judiciais, que prioriza, sempre que possível, a reinserção na família de origem, mas especialmente devido ao perfil desejado pelos adotantes: crianças do gênero feminino, de cor branca, sem qualquer doença congênita, sem irmãos e na faixa etária até os três anos de idade.
"E na realidade os meninos e meninas disponíveis para adoção têm um perfil diverso desse. Atualmente a maioria é de crianças a partir dos sete anos, com grupos de irmãos, por exemplo. Se as pessoas estivessem abertas a essas adoções, que chamamos de ‘adoções necessárias', possivelmente não teríamos crianças aguardando por uma adoção", explicou o psicólogo da coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça, Sérgio Lessa Alves.
Segundo o psicólogo, um dos primeiros preconceitos apontados pelas pessoas que buscam o cadastro de adoção refere-se à idade. "A maioria acha que é mais fácil educar uma criança mais nova. Os adotantes têm um pensamento de que as crianças vão chegar da unidade de acolhimento com alguns vícios e manias e com um desejo de procurar os pais biológicos. Os bebês têm essa prioridade pela cultura de quanto mais novos, mais a assimilação da educação fica fácil", lamenta Sérgio.
Ao contrário do que é disseminado, Sérgio afirma que não há morosidade da Justiça em relação aos trâmites burocráticos. "Falando da Justiça, não há uma lentidão. A fase da adoção em si é rápida. A questão que o Judiciário enfrenta é com o procedimento de destituição familiar. Não é uma decisão fácil tirar alguém da própria família. Por isso tudo acaba sendo mais demorado e percorrendo mais etapas para não causar prejuízos ou traumas."
A chamada "destituição familiar" à qual o psicólogo se refere é caracterizada pela perda total do poder do núcleo de origem sobre a criança ou adolescente, com a disponibilização para a adoção. Mas o primeiro passo da rede de proteção à infância é fazer com se esgotem todas as possibilidades de que eles voltem ao lar de origem, como manda a lei.
Como acontece
É através do Conselho Tutelar que todo o percurso se inicia. Por meio de denúncia referente a maus tratos, situações de abandono ou casos em que os responsáveis se encontrem temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção, o órgão ativa autoridades policiais, Ministério Público e os equipamentos de Proteção Especial do município, inclusive para evitar a "revitimização" da criança ou adolescente através da permanência em situação de risco.
Avaliada a situação e constatada a violação de direitos, há um encaminhamento para os abrigos e casas lares, que atuam de maneira temporária até que seja viabilizado o retorno ao convívio da família de origem ou, na sua impossibilidade, o encaminhamento para um lar substituto. Para dar conta da demanda, hoje a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Assistência Social e Cidadania (Semasc), mantém dois abrigos e quatro casas lares. O objetivo é proporcionar condições dignas de moradia, alimentação, vestuário, estudo, atendimento médico-odontológico, psicológico e social, a fim de ressignificar a história de vida dos meninos e meninas acolhidos.
"Trabalhamos no sentido de minimizar esses impactos sociais e afetivos, que não são fáceis. Trabalhamos para amenizá-los ao máximo. Principalmente entre as crianças maiores e os adolescentes, que já possuem um entendimento maior sobre o que está acontecendo em sua vida", esclarece a coordenadora da Proteção Especial da Semasc, Lorena Magno.
De acordo com a coordenadora, nas unidades de acolhimento trabalham cerca de 20 profissionais entre psicólogos, cuidadores, assistentes sociais, pedagogos, mães sociais e educadores que cuidam e fazem o acompanhamento. Quantitativo ideal, se não fosse o aumento de casos contabilizados periodicamente.
"Estamos habilitados para receber um total de dez crianças em cada casa lar e 20 em cada abrigo. No entanto, atualmente, estamos com um atendimento acima da capacidade nos dois abrigos, um com 11 crianças acima do número ideal e outro com quatro a mais. Essa superlotação dificulta nosso trabalho e acaba interferindo na qualidade dos serviços. Por isso estamos em constante contato com a Justiça para rever alguns dos procedimentos de recebimento dessas crianças e adolescentes", explica Lorena.
O processo de adoção
Para iniciar o processo de adoção, antes de tudo, é preciso ter bastante convicção sobre o desejo de assumir um filho, não só do ponto de vista econômico, mas especialmente de amor, afeto e responsabilidade.
Quem pode adotar? Maiores de 18 anos, independente de estado civil, sendo dezesseis anos mais velho que o adotado. Em caso de adoção conjunta, é necessário o vínculo por meio de casamento civil ou união estável.
Qual a documentação necessária? Carteira de Identidade e CPF; Certidão de Nascimento, Casamento ou União Estável; Comprovante de Residência; Comprovante de Renda Mensal; Atestado de Sanidade Física e Mental; Certidão Negativa de Antecedentes Criminais; Certidão de Distribuição Cível; uma foto.
O processo para o cadastro de adoção é gratuito e pode ser realizado para os residentes da cidade de Aracaju na 16ª Vara Civel, localizada na avenida Engenheiro Gentil Tavares, 380, bairro Getúlio Vargas.
Fonte: Agência Aracaju Notícias

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
