Consumidores sergipanos deixam compras de natal para última hora
Pressa e aglomeração nas lojas podem trazer prejuízo ao bolso Cotidiano 22/12/2014 15h00Por Will Rodrigues e Fernanda Araujo
O Natal se aproxima e muitos brasileiros devem deixar para comprar os seus presentes nestes últimos dias que antecedem a data. Uma pesquisa realizada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e pelo portal de educação financeira Meu Bolso Feliz em todas as capitais brasileiras estima que 17 milhões de consumidores vão deixar as compras para a reta final − no ano passado, este número era de 16,5 milhões de pessoas. Pressa e aglomeração nas lojas podem trazer prejuízo ao bolso do brasileiro.
Em Sergipe, o pagamento da última parcela do 13º salário dos servidores públicos de Aracaju e do Estado é um fator a mais para impulsionar as vendas. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), este ano, o abono deve injetar cerca de R$ 1,22 bilhão na economia sergipana.
Essa também é uma oportunidade para que os lojistas possam aquecer as vendas e fechar o ano com saldo positivo. E na hora de vender, criatividade e animação são fatores fundamentais para quem quer atrair os compradores. A locutora de uma loja no centro de Aracaju, Tatiane Santos Neri (foto ao lado), garante que a propaganda continua sendo a alma do negócio. “As vendas aumentaram mais do que no ano passado, muita gente está procurando brinco, colares e outros acessórios porque não adianta pensar apenas nas roupas. Na nossa loja tem para homens, mulheres e crianças. Os preços estão bem convidativos”, afirma, empolgada.A educadora Marluce Lima se deslocou da cidade de Japaratuba, no Vale do Cotinguiba, até Aracaju para comprar presentes que ela vai doar, mas o 13º não será usado na hora de pagar. “Prefiro guardar o décimo para alguma necessidade maior que possa surgir. Vou comprar brinquedos para doar e um sapato para uma criança carente da minha comunidade; faço isso sempre que posso e não apenas no período natalino, pois acho que devemos ajudar ao próximo constantemente”, afirmou.
A dona de casa Cláudia Santos (foto ao lado) já garantiu os presentes de Natal e hoje foi ao centro de Aracaju apenas comprar a decoração da ceia, pois, segundo ela, já gastou mais do que o previsto. “Comprei roupas e sapatos para meu filho, para minha mãe e para mim também. No próximo ano pretendo comprar bem menos porque o 13º salário foi todo embora. Nesse período os preços aumentam muito e isso contribuiu para eu gastar mais”, disse.O estudo do SPC também mostra que apenas 5% dos entrevistados vão deixar de comprar o presente para aproveitar as liquidações de início de ano. Neste ano, o gasto médio do presente de Natal aumentou de R$ 86,59 em 2013 para R$ 122,40. Por outro lado, o número médio de presentes comprados deve permanecer estável: 4,3 presentes por consumidor.
De acordo com a pesquisa, a pessoa mais presenteada neste Natal deve ser a mãe, com 56% das intenções, seguida pelos filhos, com 53% das intenções, e pelo cônjuge, com 52%. As roupas (77%), os calçados (50%) e os perfumes (45%) devem ser os presentes mais comprados e também os mais desejados pelo consumidor.
Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, deixar as compras natalinas para a última hora não é uma boa opção para quem pretende gastar menos. "Se o consumidor deixa para comprar em cima da hora, acaba não tendo tempo para pesquisar preços e, consequentemente, desembolsa mais - sem mencionar o risco dele não encontrar o produto desejado e ter que optar por um bem mais caro, comprometendo o orçamento", explica Kawauti.
Os especialistas do SPC Brasil alertam para o que consumidor, movido pelo estresse e pela empolgação, não acabe fazendo compras sem necessidade. "Na pressa por garantir todos os itens da lista e para não deixar ninguém sem presente, o consumidor acaba dando menos importância aos detalhes e cede às compras impulsivas. Sem falar no estresse ocasionado pelas longas filas nos caixas e pela dificuldade para encontrar vaga nos estacionamentos", adverte.
O ideal, segundo a economista, é fazer uma lista de todos os presenteados e levar o dinheiro contado que se quer gastar. Dessa forma, não há perigo de exceder o valor previsto.
IPTU, IPVA e material escolar
A economista lembra que após os gastos com as festas de fim de ano, os consumidores são obrigados a arcar com o pagamento de compromissos sazonais de alguns tributos como IPVA, IPTU, seguro do carro e material escolar, que juntos pressionam o orçamento doméstico.
"Uma dívida feita sem planejamento pode comprometer o orçamento de muitos meses. O efeito imediato das compras impulsivas e não planejadas realizadas no período natalino é a inadimplência, pois somente depois que as contas de início de ano chegarem é que o consumidor vai se dar conta de que o salário não será suficiente para cobrir a soma de todas as parcelas dos presentes comprados", alerta a especialista.
*Com informações do SPC Brasil.
Fotos: Fernanda Araujo/F5 News
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