Conheça a PM que adotou criança nascida dentro de viatura policial
Cotidiano 08/05/2016 06h37

“Amor”, segundo definição trazida por Aurélio Buarque de Holanda, é o sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração. Significa, também, grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa. Se tivéssemos de resumir, em uma só palavra, a história de adoção protagonizada pela sargento PM Simone Linhares, não seria outra que não “Amor”.

Tudo aconteceu no sábado do dia 12 de dezembro de 2009, aproximadamente às 15h. “Eu estava patrulhando, próximo à avenida Euclides Figueiredo [zona norte de Aracaju], quando avistei uma mulher em via pública, em trabalho de parto. Daí eu me aproximei e perguntei se ela estaria precisando de algum apoio. Ela disse que precisava chegar até a maternidade. Eu a conduzi, no veículo da Radiopatrulha, até a maternidade Nossa Senhora de Lourdes, mas aí, chegando na entrada da unidade, ela acabou dando à luz a criança dentro da viatura”, relatou a sargento PM Simone Feitosa Linhares, 46 anos de idade, 23 anos de Corporação e mãe de dois filhos.

No intuito de enaltecer todas as mulheres mães da Polícia Militar de Sergipe no 2º Domingo de Maio, a sargento Simone se predispôs a compartilhar conosco a história de Samara Milene Feitosa Andrade, a garotinha que nasceu no interior de uma viatura policial. Hoje saudável e com seis anos de idade, filha e mãe superaram alguns percalços da vida, que só vieram a fortalecer os laços de amor e afinidade entre as duas.

“Quando eu a entreguei na maternidade, a mãe biológica pediu para o guarda me chamar e dizer que ela não teria interesse e que a menina era minha. A princípio eu fiquei assustada e sem saber o que fazer, porque eu sou separada, já tenho um filho e não pretendia ter mais um. Mas aí, quando eu vi a menina, ela abriu os olhinhos e a pediatra me comoveu dizendo que ela parecia estar me pedindo socorro. O bebê teve alta por volta das 9h da segunda-feira, junto com a mãe. Eu coloquei a farda, fui à maternidade, deixei a mãe em casa e me dirigi com a criança ao Fórum da Infância e da Juventude”, contou.

Para a angústia da militar, uma assistente social informou-lhe que ela teria de perder a criança para o primeiro casal da fila de adoção ou poderia assumir o risco de passar um mês com a recém-nascida e sofrer consequências futuras. “Eu preferi correr o risco, apesar de a menina ter sido fruto de uma mulher que usava droga, álcool e era prostituta”, revelou a sargento, que precisou entrar na fila de adoção e constituir advogado, uma vez que a Justiça exigia da adotante residência fixa, emprego fixo e um esposo.

“Por eu ser separada e não ter marido, a juíza achou um problema. Então eu perguntei a um amigo casado, que já era pai de quatro filhos, se ele poderia ser o pai de minha filha. Ele não pensou duas vezes: dirigiu-se ao fórum e hoje ele é o pai da minha filha, do mesmo jeito que eu sou a mãe. Foram muitos os entraves até que a adoção fosse legalizada”, lembrou Simone Linhares, emocionada.

Apesar das dificuldades na fase de adoção, a sargento evidenciou o apoio do major Vítor, então capitão e comandante do Batalhão de Radiopatrulha, e de membros da Assembleia Legislativa. “Sensibilizado ao me ver perdendo noites e levando minha filha diariamente ao banco de leite, major Vítor me liberou de alguns serviços para que eu pudesse ficar em casa tomando conta da criança. O auxílio maternidade só foi conquistado após apelo à Assembleia Legislativa, quando os deputados Angélica Guimarães, Conceição Vieira e Adelson Barreto criaram uma emenda concedendo os seis meses de licença maternidade”, acrescentou.

Abstinência

Ainda na primeira infância, as drogas e o álcool foram um obstáculo superado por Samara nessa corrida pela vida. Devido à mãe ser usuária de tais substâncias, a menina nasceu com resíduos no corpo, apresentando desmaios, tremedeiras e sustos frequentes. “Eu não entendia, a princípio, os motivos dessas reações, até que a pediatra me orientou a procurar um centro de tratamento para crianças que são geradas por mães usuárias de drogas, no bairro Siqueira Campos, em Aracaju. Eu fui por 15 dias, mas como não gostei, optei por cuidar dela com o pediatra, desintoxicando a corrente sanguínea dela até os três anos de idade”, explicou.

Atualmente Samara tem uma vida normal, estuda na 1ª série em uma escola da rede particular da capital e é uma aluna exemplar. Divide o lar com sua mãe e o irmão Hilton Linhares Neto, de 17 anos, estudante do 3º ano na mesma escola.

“A Samara é um exemplo de vida. Desde pequena ela me surpreende. Ela foi para a escola com um ano de idade, era menorzinha em relação aos coleguinhas de turma e eu achei que ela não fosse se adaptar. Ela se saiu muito bem na semana de adaptação. Hoje está na 1ª série e tem uma vontade enorme de vencer, de crescer. É muito inteligente apesar da idade dela e só tem me trazido felicidade”, concluiu.

A história da sargento PM Simone Feitosa Linhares e de sua filha Samara honra todas as policiais militares mães, que conciliam a dupla jornada de cuidar dos filhos e dedicar-se às atividades laborais no âmbito da segurança pública. Em sua homenagem, o alojamento feminino da Radiopatrulha leva o nome da sargento Simone Linhares. São 23 anos de serviços prestados à Corporação, 16 deles no Batalhão de Polícia de Radiopatrulha, dois na equipe de Escolta e um ano e meio na extinta Companhia de Polícia Escolar. Atualmente, a militar está lotada no 5º Batalhão de Polícia Comunitária, com sede no município de Nossa Senhora de Socorro.

Fonte: PMSE

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