Comunidade da Ilha Grande participa de cursos sobre uso da água
Cotidiano 17/02/2015 07h43Nos dias 21 de fevereiro e 7 de março, a comunidade da Ilha Grande, localizada no município de São Cristóvão, participará de um curso de Saneamento Ecológico, visando a construção de tecnologias sociais apropriadas para solucionar ecologicamente dificuldades com o ciclo da água: o círculo de bananeiras e a Bacia de Evapotranspiração (BET), indicadas para o tratamento das águas cinzas (pias e chuveiros) e das águas negras (vasos sanitários).
Os cursos serão realizados pela ONG Sociedade para o Avanço Humano e Desenvolvimento Ecosófico (Sahude), através do projeto ‘Frutos da Ilha’, contemplado pelo edital Petrobrás Integração Comunidades 2013. De acordo com o coordenador geral do projeto, Guilherme Belchior, o círculo de bananeiras é utilizado para tratar as águas usadas da casa (pias, tanques e chuveiros), as chamadas águas cinzas, além de beneficiar a produção de bananas em escala humana. “O trabalho começa com a construção de um buraco, em forma de concha, com 1 metro cúbico de volume, preenchido por tocos de madeira, gravetos e palha, que terão a função de filtrar a água. Ao redor do buraco, plantamos mudas de bananeira que farão o trabalho da evaporação da água depositada”, explica Guilherme.
“Já a Bacia de Evapotranspiração ou “fossa de bananeira” é um sistema fechado de tratamento de águas negras, provenientes da descarga de sanitários convencionais, que não gera nenhum efluente e evita a poluição do solo, das águas superficiais e do lençol freático. Nele, os resíduos humanos são transformados em nutrientes para plantas, e a água só sai por evaporação também com a ajuda de bananeiras, portanto completamente limpa”, complementa o coordenador do projeto.
Educação Ambiental
Na etapa inicial de execução do projeto, já foram realizados cursos de Permacultura, Agroecologia e Segurança Alimentar e Segurança Hídrica junto à comunidade, oportunidades em que foram debatidas possibilidades que envolvem noções de bioconstrução, autonomia produtiva, consumo consciente da água e os impactos ambientais causados pela poluição do rio e dos lençois freáticos.
Segundo a pescadora e agricultora Maria Madalena Santos, há muito tempo a população da Ilha Grande espera por ações que visam a melhoria da produção local. “Muita gente que quer melhorar de vida sai da ilha. Mas e as pessoas que não querem sair? Aqui é o nosso lugar, é onde crescemos e onde gostamos de viver. E não basta ter um lugar pra dormir e plantar, é preciso que a gente tenha melhores condições. Estamos muito felizes por essa oportunidade que acaba de chegar”, afirma Madalena.
Ilha Grande
Localizada no estuário do rio Vaza-Barris, a Ilha Grande possui uma população estimada em 70 pessoas, que vivem basicamente da pesca fluvial e pequena agricultura de sobrevivência baseada na produção de mangas. Há cerca de três anos, a comunidade recebeu energia elétrica, mas ainda falta muito para que possua o saneamento básico ideal. Seu único meio de transporte é fluvial entre a Ilha e o continente, o povoado Pedreiras, distante da sede do município sete quilômetros.
Fonte e foto: ONG Sahude

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