Comunidade da Escola Municipal Olga Benário faz ato contra violência
Professora foi sequestrada na porta da escola
Cotidiano 13/08/2015 11h09

Por Elisângela Valença

Era quarta-feira, dia 5 de agosto, um dia como qualquer outro para a Escola Municipal de Ensino Fundamental Olga Benário, no bairro Santos Dumont, zona norte de Aracaju. Um ônibus estava estacionado em frente à escola para levar alunos para uma competição. Uma professora estacionou o carro perto do ônibus e entrou.

Segundos depois, uma segunda professora estacionou logo atrás da primeira. Enquanto pegava o material de trabalho no carro foi rendida por dois homens armados, que tomaram a direção do carro, empurraram-na para dentro e saíram em disparada. Quando eles reduziram para passar numa lombada, a poucos metros da escola, a professora abriu a porta e se jogou do carro.

No dia 6, professores e alunos fizeram um ato na porta da escola, protestando contra a violência. “Infelizmente, a violência é rotina aqui na porta da escola. Assaltos são constantes aqui, mas nunca aconteceu algo desta magnitude”, disse a professora Rosane Delfina, que trabalha na escola há 13 anos.

No dia 6, a Guarda Municipal esteve no local, mas não apareceu no dia seguinte. “Quando chegamos aqui na segunda (10), que não vimos a Guarda, suspendemos as aulas e mandamos ofício para a Secretaria [Municipal de Educação (Semed)], dizendo não temos condições de funcionar desta maneira”, disse a diretora Maria Claudeildes Santos Santana.

Na manhã de hoje, professores e alunos fizeram uma caminhada pela paz. “Não há condições de continuar assim. É professor, é aluno, é funcionário, ninguém consegue chegar e sair dessa escola em tranquilidade", disse a diretora, salientando que muitos educadores evitam usar o próprio carro para chegar à escola. Preferem uma carona temendo a violência.

“Além dos ferimentos físicos, estão os traumas psicológicos. Esta professora trabalha aqui há mais de 10 anos, ela chegou a se afastar por quase 3 anos, mas fez de tudo para voltar para cá. Hoje, ela não consegue pensar em voltar a trabalhar”, disse a professora Cristhiane Silva Oliveira Santos. “Ela disse que nunca imaginou a possibilidade de não conseguir trabalhar. Ela foi tirar a segunda via dos documentos e desmaiou na rua. Ela não consegue nem ir na porta de casa de tão assustada”, contou.

“A professora não teve apoio algum da secretaria, não procuram saber como está, nem o telefone, nem se precisa de algo. Isso é absurdo. Eles dizem apenas que foi fora da escola e que a questão da violência hoje é natural na sociedade”, comentou a diretora. “O que queremos é uma solução, precisamos trabalhar, a comunidade precisa estudar”, disse.

“Infelizmente, não temos muito o que fazer. O ato foi fora da escola, não podemos colocar ninguém armado nas escolas, o vigilante e o porteiro não podem estar armados, a Guarda Municipal não pode fazer serviço de rua e, se pudesse, o efetivo que existe seria para tomar conta das 74 unidades escolares. O que podemos fazer?”, disse Pedro Rocha, assessor de Comunicação da Semed.

Ele disse também que a Semed não foi procurada pela professora. “Quando nos procuram, damos o suporte que podemos dar. Estamos à disposição”, disse.

A diretora da escola pediu, através de ofício, uma reunião com a Semed, Guarda Municipal, Polícia Militar, para amanhã (14), às 8 horas, para conversar e pensar soluções. “Temos algumas propostas, precisamos conversar e discutir viabilidade”, disse a diretora.

 

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