Com médicos de Aracaju em greve, Huse continua superlotado
Quase 70% dos pacientes são da capital sergipana
Cotidiano 20/03/2017 17h01 - Atualizado em 20/03/2017 19h01

Por F5 News

O Hospital de Urgências de Sergipe (HUSE) é referência para casos de média e alta complexidades, no entanto, cerca de 70% dos pacientes que ocupam as macas, cadeiras e leitos do maior hospital do Estado, são de baixa e média complexidade, o que compromete a prestação de serviços, a atividade fim, e provoca a superlotação.

Segundo a direção do hospital, essa procura tem sido constante nos últimos três meses devido à greve dos médicos do município de Aracaju, que restringe o acolhimento nos postos de saúde e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA), além da recusa do Hospital Cirurgia em receber novos pacientes.

Segundo o coordenador do Pronto Socorro (PS), o enfermeiro Vinícius Vilela, a maioria desses pacientes deveria ser atendida nas unidades dos bairros, sem maiores complicações.

“São pacientes que acabam aqui, que é única porta que a população encontra disponível”, diz.

Somente no mês de fevereiro, foram atendidos no HUSE 479 pacientes com dor abdominal, 309 com dor de cabeça e 187 de ouvido, 58 com vômito, 40 alérgicos, 15 com cansaço e três com unha encravada. “A população não parou de adoecer, mas está sem opção de assistência médica. Recorrem ao Huse, o que prejudica, desgasta e desvia o foco da unidade, que é atender média e alta complexidade”, destaca Vilela.

O coordenador explica ainda que destes pacientes, 68% são de Aracaju. Somente na segunda-feira (13), dos 128 usuários do SUS que deram entrada no Pronto Socorro do Hospital, 126 eram da capital. “É uma taxa muito elevada. A capacidade da Área Azul está em 183,64% neste momento, quase o dobro do que poderíamos acolher”, preocupa-se o coordenador do PS.

A taxa de ocupação de toda a unidade está elevada: 175% na Área Vermelha, 188% na Verde Trauma, 161% na Azul, destinada à baixa complexidade. Apenas a Verde Clínica mantém a média, com 103% de ocupação.

A consequência dessa superlotação é sentida por profissionais e usuários do SUS. “O recurso humano fica sobrecarregado, estressado e insatisfeito pela falta de condições de trabalho, o que acaba refletindo na assistência direta ao paciente. Todo mundo sai perdendo”, lamenta o coordenador.

Transferência

Além disso, há o problema dos pacientes que dão entrada na unidade, têm o diagnóstico fechado e ficam com algum procedimento pendente. “Não temos porta para transferir esse usuário. Hoje, 20 aguardam uma neurocirurgia, 25 cirurgias ortopédicas e 12 vasculares. Todas deveriam ser realizadas no Hospital de Cirurgia (HC), mas o atendimento lá também não tem ocorrido”, complementa Vinícius Vilela.

 A superintendente da unidade, Lycia Diniz, diz que a cada dia o Hospital está mais travado, sem condições de assistência. “Outras unidades da Rede têm dado suporte, como as unidades regionais e alguns filantrópicos, mas nenhuma possui a estrutura e o perfil do HC. Ele precisa voltar a funcionar plenamente para que o atendimento à população volte ao estágio normal”, declara.

*Com informações da Assessoria de Comunicação 

 

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