Com hipertensão,mulher espera quase 3 dias por parto cesário em Aracaju
Denúncia é da família que temeu a morte da paciente
Cotidiano 06/01/2016 12h31

Por Fernanda Araujo

A lagartense Domingas Francisca das Neves Neta tem 40 anos e passou por maus momentos, desde a última segunda-feira (04), até o nascimento de seu sétimo filho. Uma denúncia dos familiares levou a reportagem do F5 News, na manhã desta quarta-feira (06), até a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, localizada na avenida Tancredo Neves, em Aracaju (SE), para apurar o caso.

O esperado parto cesariano foi realizado por volta das 8h de hoje. O menino, chamado Matheus, nasceu às 8h50 com 3.876kg. Mas, o que era para ser um momento de felicidade se transformou em transtornos para a família. Segundo a irmã da paciente, Maria Dionísia Nascimento Neta, hoje completa quase três dias que Domingas estava no centro cirúrgico da maternidade esperando pelo procedimento.

“Ela veio de Lagarto e deu entrada aqui oito horas da noite, na segunda-feira, com a pressão 24 por 12, ou seja, deu pré-eclampsia”, diz Dionísia. O problema grave acontece a partir da segunda metade da gravidez, caracterizada por hipertensão arterial, nefrite e perturbações hepáticas, podendo evoluir para a eclampsia. Além de a paciente passar por uma gestação complicada de 41 semanas e ter que esperar dias pelo parto, de acordo com a família, a complicação foi maior quando começou a sair sangue pelo nariz da gestante e a pressão ficou oscilante.

A cesariana ia ser ontem às 10 horas da manhã, disso passou para meio-dia, depois para 14h e para 16h. No momento, não fizeram a cesariana porque quando a pressão baixava os médicos tentavam fazer o parto normal e aí a pressão subia. Quando foi ontem, minha sobrinha veio dormir com ela e me avisou hoje que a pressão dela estava muito alta e estava colocando sangue pelo nariz. O médico disse que isso é normal e que ‘ela teria que fazer parto normal porque já teve seis filhos’. Além disso, fui mal tratada por um assistente social que me chamou de mal educada e barraqueira”, denuncia Maria.

Dionísia reclamou ainda que ninguém, por parte do hospital, passava informações da paciente. “Eu fiquei mais preocupada porque teve uma funcionária ontem à tarde, do centro cirúrgico, que falou à minha filha que tome providência porque minha irmã poderia evoluir a óbito, a pressão dela estava baixa e estavam tentando fazer parto normal. Precisou chegar ao extremo para fazer a cesária”, lamenta.

Antes da chegada da reportagem, uma funcionária da Ouvidoria da maternidade atendeu as reclamações da família e se prontificou a passar informações sobre a paciente, mas explicou que no centro cirúrgico deve ter cautela e não pode atender à família a todo o momento. Em nota, a assessoria de comunicação da Nossa Senhora de Lourdes informa que tanto a mãe quanto o bebê passam bem. A paciente deu entrada na maternidade no dia 4 com diagnóstico de hipertensão e obesidade. Segundo a equipe médica, a paciente teve assistência garantida, estabilizou a pressão e evoluiu para parto normal. Porém, hoje, a paciente foi submetida ao procedimento cesariano. Logo após o quadro se restabelecer, não apresentando mais riscos para a saúde materna, mãe e filho serão transferidos para o leito.

“Todos os casos são avaliados segundo protocolos estabelecidos pela sociedade de obstetrícia e a equipe clínica da maternidade tem total capacitação e autonomia para avaliação dos casos. A MNSL atende casos de alta complexidade, através do Sistema Único de Saúde (SUS), a gestantes de alto risco portadoras de patologias, como hipertensão, diabetes, cardiopatia e trabalho de parto prematuro”, conclui a nota.

Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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