Com déficit de R$ 14 milhões, Hospital de Cirurgia pede Socorro
Cotidiano 11/01/2016 08h49

Por Will Rodrigues e Fernanda Araujo

Fundado há quase 90 anos, o Hospital de Clínicas Dr. Augusto Leite, mais conhecido como Hospital de Cirurgia, em Aracaju (SE), é ainda uma das mais importantes unidades de saúde que prestam serviço gratuitamente no Estado. Mais de 90% dos atendimentos são feitos através do Sistema Único de Saúde (SUS), mas a qualidade - e pior - a continuidade deles estão por um fio. Com um déficit superior a R$ 14 milhões, fruto de dívidas da Prefeitura de Aracaju que se arrastam desde fevereiro de 2015, as contas da fundação que administra o Hospital não fecham e a manutenção da unidade está comprometida.

Durante o ano passado F5 News noticiou várias vezes a suspensão de atendimentos e cirurgias por conta do atraso de repasses da PMA. Em junho de 2015, a direção do Hospital e a Secretaria da Saúde de Aracaju (SMS) firmaram um acordo de cogestão por tempo indeterminado. O acordo foi intermediado pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal. O objetivo era acabar com os impasses e melhorar o atendimento, mas, de lá para cá, pouca coisa mudou efetivamente. Na semana passada, até o serviço de coleta de lixo foi interrompido e só voltou ao normal após intervenção da Secretaria de Meio Ambiente (Sema). Nesta segunda-feira (11) os funcionários deflagraram uma greve para cobrar o pagamento do salário de novembro e do 13º.

O diretor da Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia, Gilberto Santos (foto), é enfático ao dizer que sem dinheiro não há como manter a continuidade do atendimento. E mesmo que seja feito, garantir a qualidade é um desafio. “Nós temos recebido, sistematicamente, esses valores em atraso, o que torna humanamente impossível manter uma empresa sem R$ 14 milhões. Não se acha dinheiro, não se fabrica dinheiro. Mensalmente nossos compromissos vencem, se nós recebermos esses valores em atraso, teremos dificuldade em prestar o serviço, e quando prestamos, temos dificuldade em prestá-lo com qualidade”, declara Santos.

Por mês, o valor do repasse da SMS para o Cirurgia chega a R$ 6 milhões, no entanto, de acordo com o diretor, a maioria dos pagamentos que deveriam ter sido feitos em 2015 não foram efetuados ou o foram de forma incompleta. Segundo ele, mais de R$ 2,5 milhões deixaram de ser pagos. “O secretário (Luciano Paz, da Saúde) não me deu uma data precisa para o pagamento, nem dos atrasados e nem dos valores que venceram este mês”, afirma Gilberto, acrescentando que, sem essa garantia, não há como negociar com os servidores, que representam 60% das despesas do Hospital.

Procurada pelo F5 News, a assessoria de comunicação da SMS informou apenas que o secretário Luciano Paz disse que já está em negociação com a direção do Cirurgia para quitar os débitos, mas a pasta só deve se pronunciar em momento oportuno. 

Foto 1: Arquivo F5 News

Foto 2: Fernanda Araujo/F5 News

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