Bombeiros atendem a apenas 31% das ocorrências de Sergipe, aponta relatório
Cotidiano 19/05/2017 11h46 - Atualizado em 19/05/2017 13h32Por Fernanda Araujo
O número atual do efetivo no Corpo de Bombeiros em Sergipe não é o suficiente para atender às necessidades da população. Para se ter uma ideia, a corporação atende a apenas 31% das ocorrências no estado, tendo quase 70% de demanda reprimida, conforme apontou o relatório do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp).
O tema foi discutido em audiência na manhã desta sexta-feira (19) na Promotoria de Justiça do Consumidor do Ministério Público, com representantes da Associação dos Militares de Sergipe (Amese) e do Comando do Corpo de Bombeiros, e assinalou a necessidade de um efetivo maior para execução das atividades dos bombeiros no estado. A situação é grave, segundo a Amese, que denuncia o caso.
Para suprir a necessidade do CBMSE, de acordo com o coronel Joaquim Almeida Eugênio, que representou a Corporação, seria preciso um efetivo de 350 homens a ser dividido para oito unidades, o que daria um mínimo de 40 por unidade. Segundo ele, 40% do efetivo têm mais de 20 anos de serviços, o que denota o envelhecimento do quadro. A situação é ainda mais problemática no sertão, onde não existe unidade dos Bombeiros.
“Em Itabaiana houve um incêndio a 300 metros do quartel, não teve como ser debelado porque a viatura tinha ido atender uma ocorrência em Lagarto e a viatura local estava sem funcionamento. O bombeiro só retornou a Itabaiana uma hora depois, quando o fogo já havia consumido todo o patrimônio de uma família”, lembra o sargento Alberto Almeida Santos, representante da Amese.
O baixo número de mergulhadores também preocupa. A necessidade real para o serviço de mergulhadores seria no mínimo de 20 bombeiros, mas atualmente só há seis. Por dia há apenas dois mergulhadores de serviço para atender todo estado. Para a cobertura na praia de Atalaia, são apenas quatro guarda-vidas para toda a Orla, o que anteriormente eram 28 por dia.
“É impossível haver resgate com apenas um mergulhador submerso. A profissão de mergulho é extremamente perigosa e especializada e não se está respeitando as normas mínimas de segurança para a atividade. Todas as águas do estado são turvas, o que põe em risco o trabalho e expõe a risco eminentemente a vida dos bombeiros, que sequer dispõem do mínimo de descanso na escala”, diz o sargento.
E não é só o baixo efetivo que interfere diretamente no atendimento às ocorrências, como também problemas no funcionamento de hidrantes, a falta de estrutura e localização ruim do Quartel para as atividades, além da carência de viaturas novas e de frota reserva – que implica na manutenção preventiva –, e de reservatórios de água na cidade e no próprio Quartel.
“O ideal seria dois reservatórios em Aracaju, sendo um próximo à Zona de Expansão e outro no Centro, devido à grande quantidade de material combustível e de edificações antigas”, ressalta Santos.
A Secretaria de Segurança Pública foi convocada para a audiência, mas nenhum representante compareceu. Considerando a ausência, a promotora Euza Missano designou para o próximo dia 26, às 9h, a realização de audiência extrajudicial com a SSP, diante da gravidade do caso.
Foto: F5 News

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