Bebês com microcefalia são acompanhados pelo ambulatório de Follow up
Cotidiano 26/02/2016 11h40

Os bebês que nascem com Microcefalia na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), em Aracaju, unidade gerenciada pela Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), estão sendo acompanhados pelo Ambulatório de Retorno do Recém-nascido de Alto Risco (Follow up), instalado no antigo prédio da Maternidade Hildete Falcão Batista.

A unidade realiza exames físicos completos da criança, tomando como referência básica o grau de desenvolvimento, o ganho de peso, o comprimento e o perímetro cefálico do bebê, levando em conta a idade gestacional corrigida e avaliando o equilíbrio psicoafetivo entre a criança e a família.

Além de oferecer o devido suporte, o Ambulatório de Follow up também incentiva a manutenção da rede social de apoio, corrige as situações de risco que o bebê possa estar passando, como ganho inadequado de peso, sinais de refluxo, infecção e apneias, bem como orienta e acompanha tratamentos especializados e o esquema adequado de imunizações.

“Os nascidos com Microcefalia na MNSL e que são do interior do estado recebem atendimento especializado com oftalmologistas, neurologistas, fisioterapeutas e pediatras, além das consultas de enfermagem, psicologia e serviço social. De setembro de 2015 até fevereiro de 2016, foram registrados 51 bebês do interior com a má formação congênita fazendo o acompanhamento no Follow up”, ressaltou a coordenadora da neonatologia na maternidade, Thereza Azevedo.

Causas e consequências

Segundo explica o superintendente da unidade, Luiz Eduardo Prado, existem muitas situações que podem causar a Microcefalia nas crianças. “Ingestão de bebidas alcoólicas e drogas pela mãe, infecções como HIV, sífilis, toxoplasmose e citomegalovirose, ou as doenças genéticas. Se durante os exames tudo isso for descartado, abre-se a hipótese de que possa ser a contaminação pelo Zika Vírus”, pontuou o gestor.

A má formação congênita pode ter diversas consequências para o bebê, como déficit intelectual, atraso das funções motoras e de fala, distorções faciais, nanismo ou baixa estatura, dificuldades de coordenação e equilíbrio, alterações neurológicas, hiperatividade e epilepsia.

Entre as recomendações médicas para prevenir a Microcefalia estão a não ingestão de álcool durante a gravidez, nem a utilização de medicamentos sem a orientação médica, pois alguns podem interferir na formação fetal. Também recomenda-se evitar contato com pessoas com febre ou infecções, já que elas podem causar alguma alteração no desenvolvimento do bebê.

Entenda a relação

É importante lembrar que os casos de Microcefalia registrados em Sergipe estão em investigação. “Teremos que aguardar os resultados de exames que devem indicar se os recém-nascidos tiveram contato com alguma das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti”, informou o superintendente da MNSL, esclarecendo, ainda, que as mães estão sendo acompanhadas no ambulatório e os bebês têm retorno agendado para avaliação.

“Devemos evitar o contato com o mosquito vetor, já que ele é o transmissor da Zika, possivelmente associada à Microcefalia. O que pode ser feito de mais concreto é eliminar os criadouros dele, ou seja, retirar recipientes que tenham água parada e cobrir adequadamente locais de armazenamento, além do uso de repelentes indicados para gestantes”, orientou Luiz Eduardo.

Caso de Microcefalia

Aos sete meses de gestação, após uma ultrassonografia, Martha dos Santos Rocha, 19 anos, moradora do município de Nossa Senhora do Socorro, descobriu a suspeita de Microcefalia na filha. Ela lembra que teve algumas bolinhas avermelhadas pelo corpo no início da gravidez, quando ainda nem sabia que esperava um bebê. “Com três meses iniciei o pré-natal e, até o sexto mês, estava tudo normal. Quando soube da suspeita tive muitas dúvidas e medo da minha filha não ter uma vida confortável”, relembrou, emocionada.

No dia 7 de setembro a adolescente, mãe de três filhos, foi para a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, onde deu luz de parto normal a pequena L. E. R. S., com 38 semanas, pesando 2,802g e perímetro cefálico de 29 cm ( o Ministério da Saúde considera como Microcefalia casos abaixo e ou igual a 32cm).

Ela diz que está confiante no trabalho do Follow up e já percebe bons resultados. “Hoje a minha filha está com cinco meses de vida e estou aliviada com o tratamento que recebo aqui. São muitos profissionais envolvidos e todos acompanham de perto o desenvolvimento dela. Desde quando nasceu, eu percebo a cada dia a evolução da minha filha”, comemorou Martha.

Fonte: SES

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