Bebês com microcefalia participam de mutirão de atendimento em Aracaju
Cotidiano 22/02/2016 18h02Na tarde desta segunda-feira (22) a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Aracaju, promoveu um mutirão para atender os bebês que foram diagnosticados com Microcefalia. A ação aconteceu no Centro de Especialidades Médicas da Criança e do Adolescente de Aracaju (Cemca) e reuniu cerca de 30 bebês que já são acompanhados pelo serviço. Além do médico geneticista do Cemca, Emerson Santana, e de diversos profissionais da SMS, o atendimento também teve o auxílio dos geneticistas da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Ian Feitosa (PE), Erlane Marques Ribeiro (CE), e a geneticista do Rio Grande do Sul e presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Lavínia Schüler-Faccini. O atendimento foi realizado para as crianças da Regional Aracaju que, além da capital sergipana, incluem alguns municípios próximos: Barra dos Coqueiros, São Cristóvão, Laranjeiras, Rosário do Catete, Divina Pastora, Riachuelo e Itaporanga.
De acordo com o geneticista Emerson Santana, a ideia do mutirão foi fazer um levantamento e um diagnóstico situacional em cerca de 30 crianças que já são cadastradas no Cemca. “Realizamos o teste do olhinho e da orelhinha, fazendo atendimento de fonoaudiologia, fisioterapia, enfermagem, assistente social e psicologia. Nosso objetivo foi que nenhuma criança faltesse nenhum exame e também para entender outras malformações que podem estar ligadas à exposição do Zika na gestação. Como são muitos bebês e eu sou o único geneticista do Estado, três geneticistas de outros estados vieram dar esse apoio para entender melhor esse novo quadro clínico associado ao Zika, pois é preciso excluir os fatores que não é relacionado ao Zika Vírus, já que a doença também é causada pelo uso do álcool e do cigarro durante a gestação, ou por problemas familiares genéticos”, destacou. Segundo a geneticista e presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, Lavínia Schüler-Faccini, o apoio é essencial para orientar as mães e entender melhor as características das crianças que tiveram a Microcefalia. “Estamos aqui porque em vários estados têm poucos geneticistas para ajudar a avaliar a situação dessas crianças e, então, nós auxiliamos no atendimento. Como somos uma sociedade, viemos ajudar o geneticista Emerson, que é o único do Estado de Sergipe. O geneticista é importante, não apenas para ver causas genéticas, mas para identificar alterações que acontecem durante o desenvolvimento embrionário. Seja por causas genéticas ou ambientais, os geneticistas conseguem ver alterações na face do bebê que podem ser importantes para fazer o diagnóstico se o bebê teve a Microcefalia por causa do Zika Vírus ou se foi por algum outro motivo. Antes, não se existia o Zika Vírus e agora é importante trocarmos nossas experiências para entender quais os sintomas e semelhanças nas crianças que foram afetadas pelo Zika Vírus durante a gravidez”, enfatizou.A mãe da pequena Emily, de três meses, Evilani Santos, explicou que o atendimento com os profissionais é essencial para tirar dúvidas e saber como está a saúde de sua filha. “Eu tive o Zika Vírus com três meses de gravidez e quando minha filha nasceu os médicos constataram que ela tem a Microcefalia. Assim que soube comecei a buscar atendimento, pois é importante cuidar da saúde dela e saber todas as complicações que ela pode ter por conta dessa doença. Gostei muito do atendimento, os médicos orientam direitinho o que fazer”, afirmou a mãe.
Já a mãe Gailde Santos Silva disse que não sabe qual das doenças chegou a pegar durante a gravidez. “Eu não sei exatamente se estava com a Zika ou a Chikungunya, os sintoma foram fracos e nem tive vermelhidão no corpo, mas, quando minha filha nasceu, descobri que ela tinha Microcefalia. Hoje, ela já recebe todo o acompanhamento necessário e, graças a Deus, está bem. Os médicos orientam tudo. Atualmente ela já tem cinco meses e eu só tenho a agradecer por participar desse mutirão realizado pela prefeitura”, frisou.
“Eu achava que tinha tido uma virose durante a gestação, mas era a Zika e, quando a minha filha nasceu, descobri que era Microcefalia. No início chorei muito, mas não é só eu que estou nessa luta e o que tenho para dizer é que dá muito trabalho cuidar de uma criança com Microcefalia, mas não me arrependo de está cuidando e dando todo o carinho, fazendo tudo que ela precisa para crescer saudável. Esse mutirão é muito bom para que os médicos vejam quais os exames que nossos filhos estão faltando fazer e também para que a criança não cresça com outra complicação, de ficar cega ou surda, então, por isso que estou tendo muito cuidado. Até agora ela está bem e eu peço a Deus todos os dias para que continue assim. Além do Cemca, os profissionais da unidade de saúde que sou atendida no bairro Getúlio Vargas também me orientam e me ajudam bastante para que eu não desista de cuidar bem da minha filha”, afirmou a mãe Joelma Santos Silva.
Diagnóstico do Zika Vírus
Sobre o diagnóstico do Zika Vírus, a equipe do Laboratório Central (Lacen) de Sergipe já está habilitada a fazer o exame aqui no estado e a pessoa realizará o exame sem precisar que a sua coleta de sangue seja levada para outro estado. “Antes, o exame só era realizado no Lacen do Ceará, e agora o Lacen daqui já está apto a diagnosticar a doença. Isso facilita muito, pois a doença é diagnosticada bem mais rápido”, finalizou o geneticista Emerson Santana.
Fonte: Agência Aracaju

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