Aumento da morte de tartarugas preocupa biólogos em Sergipe
Cotidiano 25/01/2017 16h17 - Atualizado em 25/01/2017 18h25

Por Nathália Passos

Nesta quarta-feira (25), no salão paroquial do município de Pirambu (SE), aconteceu uma reunião do projeto Tamar, da qual participaram pescadores e representantes do Ministério Público Federal (PPF) e do Ministério da Pesca.

O projeto Tamar contabilizou a morte de 106 tartarugas marinhas em apenas oito dias nos litorais sergipano e baiano, 90 delas da espécia Oliva. Em Sergipe,  foram 56 casos. Por este motivo o Tamar reuniu a comunidade local, além de órgãos públicos para esclarecer a situação, e tomar medidas cabíveis.

Estudos do projeto Tamar indicam que a população de tartaruga-oliva que desova no Brasil apresenta a menor diversidade genética registrada até o momento. Ou seja, as Olivas que desovam desde o sul de Alagoas até o norte da Bahia podem compor uma única população.

Segundo o biólogo do Tamar Rauber Santos Garcia, terminou há pouco o periodo de defeso do camarão e começa a pesca. No litoral de Sergipe é bem comum a pesca de arrasto, em que a rede passa no fundo do mar.

“Essa rede tem o formato de funil, e pode acabar pegando tartarugas também, e como são animais que necessitam subir até a superfície para respirar, elas ficam presas na rede, não conseguem subir, e acabam morrendo afogadas”, relata Rauber.

O biólogo ainda acrescenta que, quando as tartarugas chegam nas praias, em números bem menores, elas já demonstram sinais da pesca - em avançado estado de decomposição, que dificulta a avaliação do achado; marca de rede; espuma na traqueia que indica afogamento; alimento no esôfago que indica uma morte súbita, sinais associados à atividade que está acontecendo no litoral.

A Oliva é uma espécie já bastante ameaçada; os animais vivem de 80 a 100 anos, mas poucos conseguem sobreviver. A cada mil filhotes que vão para o mar, apenas um consegue chegar à fase adulta e completar o ciclo reprodutivo. Essa já a estimativa natural, porém, quando entra atividade de pesca e outras ações  antrópicas, esse único individuo  acaba sofrendo e não dando continuidade ao ciclo reprodutivo, o que coloca essas tartarugas sob ameaça de extinção.

“A preocupação do projeto Tamar é que o número de tartarugas mortas subiu muito em apenas oito dias, e provavelmente estão morrendo mais tartarugas, que vão chegar às  praias. Temos que tomar as medidas cabíveis para que possamos proteger não só as tartarugas, assim como o meio ambiente”, diz o biólogo. 

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